19 de outubro – Dia do Piauí

AobDX9mPArHb5RyduMa0QwgNrx9rqOZ1dTx204eV46WtTodo ano nos deparamos com debates sobre ser ou não o 19 de outubro o dia do Piauí, isso acontece porque diferentes pessoas e/ou grupos sociais interpretam de maneira diferente vários episódios  considerados fundadores do espaço histórico, e geográfico – claro, do que a partir do século XIX  passamos a chamar de Piauí. Episódios que não nos custa relembrar:

  • Vamos começar com o 19 de outubro, data que se tornou em 1937 o dia do Piauí quando o deputado José Auto de Abreu conseguiu aprovar a Lei Estadual, nº176, celebrando a adesão da Câmara Municipal de Parnaíba ao processo de independência em 1822. Lembremos que o Brasil havia sido declarado independente de Portugal um mês antes ( em 7 de setembro);
  • Há também os partidários de que o dia do Piauí fosse o 22 de janeiro, quando houve outro ato de aclamação da independência, desta vez  em Piracuruca no ano de 1823;
  • Só em 24 de janeiro de 1823, a então  capital do Piauí, Oeiras, declarou a adesão oficial ao processo de independência, sendo, portanto,  para alguns a data oficial de adesão do Piauí a Independência do Brasil;
  • Por último, muitos também defendem que o dia do Piauí seja o 13 de março  marco da Batalha do Jenipapo, em Campo Maior, onde segundo o historiador Fonseca Neto, “lavradores, vaqueiros, cativos de toda cor, cozinheiras, sem-campo e sem-curral, amas e cunhãs, tangerinos, tocadores, oficineiros, desempregados, vadiadores, bandoleiros… toda essa gente juntou-se  para lutar e morrer pela liberdade”.

Em torno destes episódios  e de sua “oficialização” como dia Piauí existe uma disputa de memória  que envolve os diferentes grupos políticos que fizeram, e ainda fazem, parte da história de consolidação do Estado como uma unidade da Federação chamada Brasil. Estas disputas são importantes como referencias para o debate historiográfico especificamente e de uma maneira mais geral para a construção da identidade, que nunca é simples nem singular, de todos nós piauienses de nascimento e de coração.

O que não  podemos e nem devemos esquecer é que o Piauí já era lugar de disputas muito antes de 1822 ou  de 1823 quando do processo de independência, e que estas disputas resultaram no extermínio dos povos que aqui viviam  a milhares de anos, como indica o  seu próprio nome. Uma  terra habitada por Acroás, Gueguês, Pimenteiras,Tremembés, Jaicós, Aitatus, tupiguaranis  os índios pescadores que nomearam como piauí – a terra  onde os rios eram cheios de piaus! Deles restou uma memória fragmentada  recorrentemente por uma “História Negada”, como enfatiza  a historiadora Jóina Borges.

Talvez sejam eles, os povos exterminados, quem possa nos ensinar a mais importante lição histórica sobre o Piauí, terra querida: valorizar a diversidade cultural que nos constitui como povo e aprender a reconhecer e tirar proveito de nossas riquezas naturais sem necessariamente destruir estas mesmas riquezas.

Olhando hoje para o Poti e o Parnaíba,  podemos ficamos com saudade e inveja daquele Piauí, lugar de águas abundantes e férteis numa terra filha do sol do  Equador e reclamar do calor, mas também podemos levar em consideração que o dia do Piauí é todos os dias e que para estarmos sempre orgulhosos desse Estado cada um de nós deve fazer sua parte.

Texto da professora de História do 3º Ano do Ensino Fundamental do IDB e da Escola Popular Madre Maria Villac, Shirlane Nunes.