Malala – 2015

 20151205070957Em 2012, a história da adolescente paquistanesa Malala Yousafzai se tornou manchete ao redor do mundo. A jovem de 15 anos que dava entrevistas e defendia abertamente o direito das meninas de frequentarem a escola foi baleada na cabeça por um membro do Talibã em um ônibus escolar. O que poderia ter sido o fim de sua jornada foi o começo de algo muito maior. Malala sobreviveu, tornou-se uma ativista com influência mundial e a vencedora mais jovem de um Prêmio Nobel da Paz. Essa história real fantástica é o tema do documentário Malala, que estreou no mês passado nos cinemas brasileiros.

Dirigido por Davis Guggenheim, vencedor do Oscar de melhor documentário de 2006, com Uma verdade inconveniente, o filme se propõe a fazer um retrato íntimo da garota que se tornou um símbolo na luta pela universalização da educação. As filmagens foram feitas em 18 meses e mostram Malala tentando equilibrar as demandas de uma adolescente normal com viagens pelo mundo para palestras e visitas a escolas.

 As cenas gravadas na casa de Malala, que atualmente vive com a família em Birmingham, na Inglaterra, mostram o lado da adolescente ainda não explorado pelos jornais. Ela aparece provocando os irmãos, rindo, envergonhada, ao mostrar fotos de esportistas como Roger Federer e Shane Watson, estudando para tirar boas notas e recebendo o apoio do pai, Ziadduin.

A relação entre pai e filha é um dos principais atrativos do filme. É evidente a influência de Ziadduin, que era dono de uma escola quando ainda morava no Paquistão, nos ideais de sua filha. Porém, fica claro que são as próprias crenças que motivam Malala a continuar sua luta em defesa da educação de meninas.

Apesar de fazer um registro da jornada de Malala de maneira sensível, o documentário não mostra as emoções mais profundas de sua protagonista. Em certo ponto, o diretor pergunta a Malala por que ela não fala sobre seu sofrimento. Ela olha intensamente para a câmera e se recusa, de maneira gentil, a comentar o assunto. O espectador não vê nas entrevistas, nem nas cenas, um retrato mais “em carne de viva” de Malala, o que é uma pena.

Mesmo assim, é impossível não recomendar o documentário para todos os estudantes – principalmente para as meninas – e para quem se interessa por questões como educação, ativismo e igualdade de gênero. Malala é uma figura divertida e carismática e depois de conhecê-la mais de perto, é difícil sair do cinema sem se sentir inspirada por sua história.

Fonte: Revista Crescer

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