Saúde Física x Saúde Mental: uma questão de equilíbrio

IMG-20160220-WA0011Ter uma alimentação saudável vai além das escolhas dos alimentos, deve ser também levado em consideração as propriedades preventivas de alguns nutrientes, pois esse é um aspecto determinante de um estilo de vida saudável para as pessoas de diferentes grupos etários, principalmente na fase infantil. Por isso é necessário compreender o processo de ingestão de alimentos do ponto de vista mental, conhecendo as atitudes, crenças e outros fatores psicológicos que influenciam no processo alimentar.

Existe a interferência de aspectos emocionais na manutenção de hábitos alimentares adequados. Sentimentos negativos possibilitam uma adesão menor à dieta e à prática de hábitos saudáveis. Os sentimentos de  tristeza, raiva, depressão, ansiedade, dificuldades no relacionamento familiar, baixa auto estima e avaliação negativa da imagem corporal, podem desestimular a prática de uma alimentação saudável.

 Comida não é remédio e nem a saída para transtornos

 Segundo a psicóloga do IDB, Lívia Carneiro, a influência da cultura no comportamento alimentar é determinante.“Nós fazemos parte de uma cultura muito oral. Se estamos felizes e se quisermos comemorar alguma coisa, a gente comemora comendo. Se estamos ansiosos, nós comemos para comemorar. Se estamos tristes, comemos para suprir alguma necessidade e  preencher algum vazio. Então, temos visto muitos problemas com distúrbios alimentares, não só relacionados à obesidade, como também relacionados à falta de apetite, anorexia e outros transtornos relacionados a isso. É interessante falarmos desse aspecto psicológico, pois alimentação é uma questão cultural”.

 Filhos copiam os pais

As mudanças no estilo de vida são difíceis de conseguir, dadas as interações com diversos outros aspectos do cotidiano e da vida urbana como falta de tempo, falta de tranquilidade e, portanto, ansiedade, e difícil acesso a padrões de comportamento e de consumo mais satisfatórios do ponto de vista da saúde. As dificuldades em alterar os hábitos de vida são manifestas também no que se refere à alimentação.  “E a gente sabe que a alimentação interfere no aspecto psicológico, porque se eu me alimento mal, eu durmo mal, consequentemente eu não vou funcionar bem; meu organismo e meu sistema imunológico não funcionam. Se eu como muito, não vou dormir bem, acabo tendo um sono mais agitado. Se eu não me alimento bem, não consigo desenvolver nutrientes necessários que meu cérebro precisa para que eu consiga viver. E aí surgem os transtornos”, explica a psicóloga.  É importante os pais terem o entendimento que as crianças copiam hábitos e são impactadas por emoções e sentimentos e a partir daí podem desenvolver um padrão.

 A história pessoal e familiar e ainda o envolvimento cultural, permitem compreender o porquê do desenvolvimento dos hábitos alimentares. O paladar, o preço, o aspecto, a facilidade em preparar, a publicidade etc., mais do que o conhecimento dos benefícios para a saúde, condicionam as escolhas alimentares que realizamos. “A questão da alimentação é muito imediatista. Por exemplo, a pessoa obesa pensa em fazer dieta, mas esquece que o comportamento às vezes é uma questão de pensamento. Eu me comporto de acordo com aquilo que eu penso. Não adianta querermos mudar nossos hábitos sem mudar nosso pensamento. Se desde pequenas as crianças são acostumadas que aquilo é o saudável, aquilo é bom para ela, que irá trazer um benefício, não apenas comer pelo o sim; se elas são acostumadas e veem as outras pessoas agindo da mesma maneira, a família, os colegas, os professores, ela vai começar a desenvolver esse hábito”, finaliza a psicóloga.

Não podemos falar do corpo sem falar da mente. Manter uma alimentação saudável nos traz não só benefícios físicos, mas também mental.

Paz e Bem!