O uso do celular e as consequências negativas para o rendimento escolar

13145394_10204718702886130_1478275575_nO celular hoje é um terminal digital.  Tem dezenas de funções e até é usado para fazer ligações. Mas, além disso, ficar conectado por tantas horas e dependente do celular tem seu preço. A saúde também paga essa conta.

A internet, o telefone celular e muitos novos equipamentos de tecnologia da informação vão transformando os comportamentos e as formas de se relacionar com a família, com os amigos e com as novas possibilidades de viajar pelo mundo sem sair de casa.

Uma pesquisa feita em Flandres, na Bélgica, com 1.656 estudantes de 13 a 17 anos, divulgada pelo jornal Sleep e pelo site ScienceDaily, revelou que o uso do celular à noite é prática recorrente entre os adolescentes e isso está diretamente relacionado ao aumento do nível de cansaço desses jovens após algum tempo. A análise revela que casos de cansaço excessivo informado pelos adolescentes foram atribuídos ao abuso na utilização do celular, tanto em ligações quanto em trocas de mensagens de texto. Eles gastam muito tempo se conectando com outras pessoas, e alguns deles fazem isso a noite inteira.

E qual dos fatores está relacionado a um bom rendimento na escola? Uma boa noite de sono. Estudos revelam que adolescentes que dormem menos estão mais propensos a problemas cognitivos ou comportamentais em sala de aula. Os pais devem estar alerta: é preciso restringir ou proibir o uso do celular após a hora de dormir.

Profissionais da área de saúde, médicos e psicólogos, recomendam que crianças e adolescentes tenham entre oito e dez horas de sono por noite para manter uma vida saudável e um bom desempenho durante o dia. Além disso, os pais que desconfiam que seus filhos estejam sofrendo de distúrbios do sono devem recorrer a consultas com pediatras ou especialistas na área e também ficar atentos ao uso do celular. A dica é: durma bem para melhorar suas notas.

Um olho nas mensagens e outro nas explicações dos professores

Além de uma noite mal dormida prejudicar o rendimento escolar, temos outros vilões. O hábito de manter diferentes focos de atenção, como manter um olho nas mensagens do celular e outro nas explicações dos professores, podem gerar estresse ou, até mesmo, indicar um Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Isso sem falar da quebra acadêmica grave, da regra que proíbe o celular em sala.

A psicopedagoga do Instituto Dom Barreto, Fátima Paixão, afirma que o uso do celular na Escola atrapalha tanto o rendimento escolar quanto a própria relação social. “A escola não proíbe de trazer, nós orientamos que trazendo, os celulares fiquem desligados ou silenciosos dentro da mochila. Mas eles não respeitam, porque em casa também eles fazem isso. Eles não têm hora para usar. A família hoje tem isso, usam o celular o tempo inteiro e para tudo. Às vezes nem conversam entre si, porque cada um está usando o celular. Procuram estar lado a lado, mas não estão juntos. Então, isso atrapalha muito, principalmente a concentração, porque a gente sabe que quem toca o sino não acompanha a procissão. Então, os alunos não podem usar o celular na sala, é inclusive proibido porque compromete muito seus estudos”, afirma.

Fátima comenta ainda que alguns alunos argumentam que sabem lidar com o aparelho na escola e conseguem separar o momento do uso com o momento de estudos, mas a psicopedagoga explica o porquê de não dar certo esta atitude e que o trabalho do uso consciente do celular deve começar na família. “Às vezes eles dizem: ‘Tia eu consigo separar’, então explico que ele pode conseguir em algum momento, mas isso não é uma regra, nem vai ser sempre. Em algum momento aquilo que está no celular pode chamar mais atenção do que o professor está falando, por isso não é permitido usar em sala de aula. Compromete não só a aprendizagem, mas a própria relação social. Eles se comunicam muito mais nas redes sociais do que presencialmente e isso é muito ruim, afeta o relacionamento social. Na minha opinião, esse trabalho para começar a evitar o uso constante deve começar na família. Não é uma questão de castigar, quando por exemplo, o filho não tira nota boa. Mas é orientar como e quando usar”.

Os adolescentes e crianças que fotografam tudo com seus sofisticados celulares, ou melhor, smartphones, têm acesso a todas as informações dos seus aparelhos e sabem de tudo em tempo real. São ágeis, curiosos, informados e dominam a tecnologia. No entanto, mesmo assim, ainda existe a queda do rendimento escolar, as dificuldades do diálogo, um paradoxal isolamento no meio da rede de tantos contatos e conexões e a falta de comunicação, do afeto nas famílias, onde todos ficam mais tempo conectados do que, de fato, dialogando.

Viver, hoje, num mundo em constante e cada vez mais veloz pode ocasionar riscos e problemas à saúde durante uma fase de crescimento e desenvolvimento, onde talvez a maturação cerebral seja estimulada por tantas imagens coloridas em pixels que formam confusões e também problemas de memória e de concentração.

O agravamento de problemas mentais, assim como o aumento das frustrações, angústias e decepções pode facilitar a dependência no mundo virtual. Muitos adolescentes confundem a vida real com a web ou interpretam mensagens impessoais como recados relacionados à perseguição. Não conseguem distinguir quando estão falando com pessoas que realmente existem ou com perfis criados para atormentá-los. Passam a viver uma realidade paralela e, consequentemente, afastam-se cada vez mais do contato social.

Além disso, o especialista da área de tecnologia, Guilherme de Mello, CEO da Startup Escola Com VC e da Startup QuizSchool e Coordenador de TI da Defensoria do Estado do Piauí, comenta sobre o uso excessivo das tecnologias, e suas consequências. O uso de smartphone está cada vez mais em alta, porém, segundo Guilherme, o grande problema é que, hoje, a informação nem sempre é filtrada ou importante, mas bombardeada. “Todos nós queremos saber de tudo, mesmo do que nunca vai nos ser útil, temos a falsa impressão de que toda informação é válida e o que isso causa é um total desligamento da realidade mais próxima em prol deste ‘boom’ de informação de baixa qualidade. Outro grande problema já percebido pelo uso excessivo de celular é a diminuição da concentração e da percepção do que está mais próximo, perdendo e muito do que ocorre no ambiente próximo. Já se foi mapeado inclusive o risco de acidentes que aumenta muito ao utilizar esses aparelhos enquanto anda pela rua, sobe escadas  etc”, diz.

A tecnologia é sempre um caminho de duas vias, mas, segundo Guilherme, o usuário deve ter o discernimento para saber utilizá-la da forma que melhore a sua vida e seu dia a dia. “Estudantes podem e devem utilizar dos diversos softwares que auxiliam no aprendizado e na organização do seu dia, porém, é importante saber o momento e local certos de utilizar essas ferramentas para que não se tornem, sem perceber, escravos dessa máquina e passem de forma automática a pensar através dela”, pontua.

A tecnologia que surgiu para facilitar as atividades, ultimamente, tem levado os indivíduos a ultrapassarem sua resistência corpórea provocando problemas. Além da compulsão e dependência do mundo virtual, o uso contínuo do aparelho pode também estimular ou corroborar transtornos de ansiedade, transtornos obsessivo-compulsivos, o famoso TOC, como também distúrbios de comportamentos ou condutas antissociais e depressão. E o que está se tornando também mais frequente é uma síndrome denominada de tecnoestresse. O tecnoestresse é um problema provocado por qualquer tipo de estímulo tecnológico, ou seja, quando um indivíduo se depara com estímulos tecnológicos e reage de forma estressada por causa das adaptações que devem ocorrer dentro de si para aceitar tais tecnologias. O celular é o aparelho que tem mais caudado este problema.

O tecnoestresse se caracteriza pelo desejo incontrolável de verificar constantemente os e-mails ou os aplicativos de mensagens, como o whatsapp, de estar sempre atento ao toque do celular ou de brincar de dedilhar no celular em todos os momentos livres e, muitas vezes, ao mesmo tempo, nas multitarefas, induzindo aos quadros de ansiedade generalizada.

O Instituto Dom Barreto tem o compromisso com o desenvolvimento dos seus alunos da forma mais saudável possível. O uso deste pequeno aparelho pode ser tão prejudicial à saúde física quanto à mental. É possível usar o celular de forma positiva, adequada, segura e ética, evitando que se transformem na dificuldade do crescimento e do desenvolvimento digno e saudável das nossas crianças e adolescentes.

Paz e Bem!