Professor Marcílio Rangel, 10 anos de saudade!

Unknown mr 6O dia 10/5/2006 ficou marcado em nossa memória e coração. Hoje, completam 10 anos que nosso amado professor Marcílio Rangel partiu deixando muita saudade. Porém, além da saudade que aperta nosso peito, ele nos deixou muitas sementes que se transformaram num verdadeiro legado para a educação, tão verdadeiro que inspira a todos diariamente. Hoje é dia de recordarmos juntos, para isso, toda comunidade dombarretana e amigos estão convidados para a missa dos 10 anos de morte do professor Marcílio que acontece, às 19h, no Barretinho, no IDB.

Além da Missa, também foi produzida uma exposição emocionante com lembranças do professor Marcílio. A partir da exposição podemos perceber parte do sentimento que ele dedicou ao ensino e ao cuidado com o próximo. Quem passar pelo IDB vai ter a oportunidade de ver e sentir o amor espalhado em cada objeto ali exposto.

Família: depoimentos de amor e gratidão

Nesse momento, as palavras se tornam insuficientes para expressar todo amor e gratidão deixados pelo professor Marcílio. Sua esposa, Natercia, e suas filhas, Marcela Rangel e Camila Rangel, tem muito a falar e a compartilhar com todos quando o assunto é exemplo.

“Há exatos 10 anos, nosso Marcílio se foi. Mas diariamente ele vive em nossas vidas, permeia os nossos pensamentos, preenche nossas lembranças e falas, como se nunca houvesse partido. Paradoxalmente, esses mesmos 10 anos parecem uma eternidade quando constatamos que, fisicamente, ele já não se encontra entre nós,  já não ouvimos sua voz grave, já não contamos com suas mãos poderosas a nos tocar e já não podemos abraçá-lo afetuosamente.  Mas nós entendemos os desígnios de Deus, quando Ele o chamou aos 49 anos! E dissemos a Deus: Obrigada, Deus! Só temos a te agradecer! Obrigada pelo tempo em que permitiu que Marcílio estivesse  ao nosso lado e obrigada por  ele ter sido nosso pai, por ter nos educado e se preocupado com a gente! Obrigada pelo amor que nos gerou! Obrigada pelo exemplo deixado por ele sobre o cuidar e o zelar por tantos, nos ensinando a máxima da busca pela promoção da paz e do bem! Agradecemos também pelos filhos que ele criou sem ter gerado, pelas dores que ele sanou sem ser médico, gratidão infinita por tudo que ele fez em nome do amor. Marcílio, você permanece vivo na escola que construiu, você vive nos projetos sociais que desenvolveu, você vive nos alunos novos que nem o conheceram, mas que usufruem do seu legado. Você também permanece vivo no coração e na memória dos alunos e profissionais que passaram pela escola; você vive em todas as pessoas às quais inspirou, através do exemplo de como ser professor; você vive no coração de quantos o conheceram e que sentem sua ausência… e você vive em nós, sua família que o ama eternamente”.  

Quem também dividiu um pouco da saudade e do amor deixado pelo professor Marcílio, foi nossa diretora Stela Rangel, com o texto que segue abaixo:

“Procurar a excelência nada mais é senão procurar ir além de se mesmo, tornar-se melhor do que se é.”

Yves de La Taille

“É sempre um desafio falar do professor Marcílio. Dez anos se passaram, mas a sua presença marcante, viva, permanece gravada em todos nós. O seu carisma, a emoção com que envolvia a todos ficarão para sempre no imaginário desta família, que se constituiu dombarretana, una, pela firme determinação deste educador, em mostrar a todos que o êxito pessoal,  social e planetário é possível, e tão somente possível pelo viés da educação.

Na nossa trajetória, efetivamente, fez-se um companheiro com quem aprendemos a gestar e a cultivar saberes necessários à prática educativa, numa perspectiva humanística, exigente e, sobretudo, transformadora. A prática educativa que nosso educador concebia era a prática que bem se ajustava aos ensinamentos de Francisco, qual seja “Educar com ternura, porém com rigor”.

Como indicação para o caminho certo, Marcílio aponta uma nova ternura para com a vida e um sentimento autêntico de pertencimento à sociedade com um modo de ser essencial por meio do “cuidado essencial”. Quer dizer, no cuidado identificamos os princípios, os valores e as atitudes que fazem da vida um bem-viver e das ações um recto agir. E assim ele fez… e assim ele cuidou…e assim ele nos ensinou…e assim nós queremos  e podemos aprender. Esse legado foi o que mais demarcou a nossa relação com o nosso mestre Marcílio.

A educação pela cidadania, tão indagada pelas preocupações sociais de hoje, também são preocupações nossas. Acreditamos que trabalhar a moral com as novas gerações implica construir valores, pautar seus conhecimentos por regras e situar-se na condição do outro. Cumprindo assim o nosso papel de cidadania!”

Amigos que viveram e aprenderam sobre a importância da educação e do amor ao próximo

O médico cirurgião torácico, Evandro Magno, estudou no IDB e hoje, seus filhos, Alexandre Magno e Júlia Magno, também são alunos da Escola. Para ele, lembrar do professor Marcílio é sempre motivo de emoção.

“Eu cheguei de Fortaleza em 1980, e estudei aqui até 1987, sou da terceira turma da 3ª Série do IDB, no próximo ano completamos 30 anos de formação do Ensino Médio. E, por sorte, eu pertenci à primeira turma que o professor Marcílio deu aula. Eu me lembro que quando me formei, eu vim deixar meu convite de formatura, e uma das coisas que eu falei para ele foi da gratidão que eu tinha dele como Mestre. Tudo que aprendi foi graças aos meus pais e parte ao Marcílio, pois ele, além de ser um grande vibrador da Escola, sempre nos passou muitos estímulos e também muitos puxões de orelha. Eu me lembro quando ele entrou na nossa sala vibrando, uma vez, dizendo que o IDB tinha acabado de se tornar um dos melhores colégios da Cidade e, hoje, o IDB é um dos melhores do Brasil. Então, lembro tudo com emoção, porque a gente deixa uma parte da vida aqui.”

A professora de Literatura, Graça Vilhena, também tem muito a falar quando o assunto é professor Marcílio.

“Há dez anos perdemos o professor Marcílio, que nos deixou na madrugada de 10 de maio de 2006. Lembro-me perfeitamente da comoção e tristeza que a notícia nos causou.

Não sei bem o que senti quando o vi no Barretinho cercado por toda comunidade dombarretana, amigos, familiares e autoridades. Na noite anterior, eu tinha estado em sua sala e ele parecia bem, inclusive prometeu-me estar às nove horas, do outro dia, no auditório do CCHL, para assistir à apresentação da dissertação de mestrado de Marcos, meu filho. Isso não seria mais possível, bem como a sua presença em nossas vidas. Tudo que havia agora era tristeza, perplexidade e a mais viva emoção no canto dos meninos e meninas da Casa Dom Barreto. As crianças cantavam para se despedir daquele homem que, em sua infinita bondade, havia acolhido a todos como filhos.

Na hora da saída, alguns funcionários pediram para levá-lo nos braços até o Cemitério São José. E assim foi feito e uma grande procissão encheu as ruas por onde passava, pela última vez, o nosso querido professor Marcílio.

Quando voltei para casa, tive a certeza de que não era apenas saudade o que ele havia deixado em todos nós. Ficara também um vazio enorme e a certeza de termos perdido um homem ímpar que, com firmeza e responsabilidade, havia dedicado a sua vida para engrandecer a educação em nosso Estado. Generosamente, ele foi também o Marcílio dos pobres, dos artistas desprestigiados, dos escritores, enfim, de todos que o procuravam na certeza de encontrar amparo e respeito.

Habituados que estamos ao jogo de interesses, à ambição, ao egocentrismo, ao desamor, é difícil imaginar que tenha existido um homem assim, mas nós o conhecemos, convivemos com ele, aprendendo cada uma de suas lições. Ele existiu para nos provar que os sonhos podem ser realizados, mas que tudo depende de nossa força, dos sentimentos bons que devemos cultivar em nossa alma, para podermos transformar o impossível.”

Marcílio Flávio Rangel

O professor Marcílio Flávio Rangel nasceu em 1956, em Taperoá, na Paraíba. Em 1978, ele veio para Teresina e tornou-se professor de Matemática do então Patronato Dom Barreto, criado em 1945 pela Congregação das Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado. O Instituto Dom Barreto passou a ser administrado em 1983 pelo diácono Marcílio Rangel, que faleceu em 2006, aos 49 anos, vítima de infarto.

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