Dia Nacional da Poesia

img-20161004-wa0005O Dia Nacional da Poesia é comemorado oficialmente em 31 de outubro no Brasil. A data foi criada em homenagem ao poeta Carlos Drummond de Andrade, um dos principais nomes da literatura brasileira. O Dia Nacional da Poesia foi oficializado através da lei nº 13.131, de 3 de junho de 2015, por sugestão do senador Álvaro Dias, do Paraná.

O dia 31 de outubro remete a data de nascimento de Drummond de Andrade, conhecido por ser um dos principais nomes da segunda geração do Modernismo brasileiro. A data, além de homenagear os poetas em geral, também serve para lembrar da riqueza e importância cultural que a arte poética representa.

Desde 1977, o Dia Nacional da Poesia era comemorado em 14 de março, em homenagem ao escritor Antônio Frederico de Castro Alves, nascido em 1847. A data foi sugerida pelo então deputado federal João Alves. No entanto, a proposta não foi oficializada e o Projeto de Lei foi arquivado.

A poesia brasileira é um dos nossos patrimônios culturais. São inúmeros os nomes reconhecidos e premiados internacionalmente. Esses autores são responsáveis por, em períodos distintos, contar a história do povo brasileiro e apresentar suas impressões sobre o mundo e os outros. Alguns nomes tiveram maiores destaques, tais como Castro Alves e Carlos Drummond de Andrade.

Peculiarmente distintos, são poetas que embelezam a literatura brasileira. Antônio Frederico de Castro Alves, por exemplo, era baiano e lutou por causas nobres, tais como a defesa da República, ficando conhecido como o poeta dos escravos.

Poesia não é somente aquela que se encontra nos livros. Convém lembrar que as letras musicais são poesia para ser cantada e, nesse sentido, a poesia se faz presente na vida de quase todas as pessoas.

Aliás, em música, é comum se falar em um gênero clássico ou erudito e num gênero popular. O mesmo acontece em poesia. No Brasil existe um gênero popular de poesia que foi muito difundido, especialmente no sertão do nordeste: a poesia de cordel. É importante conferir.

Carlos Drummond de Andrade

Nascido em Minas Gerais, no ano de 1902, é um dos maiores poetas brasileiros, sendo reconhecido internacionalmente. Em Belo Horizonte, estudou, trabalhou como funcionário público e iniciou sua carreira como escritor.

Fundador do periódico A Revista, órgão oficial do modernismo mineiro, foi destaque desse movimento literário. Em 1930, publicou sua primeira obra, Alguma poesia, quando o modernismo já estava consolidado em terras brasileiras. Com poemas que abordam temas de nosso cotidiano (família e amigos, conflitos sociais, existência humana etc.) e uma escrita com toques de ironia e pessimismo, Drummond é um marco na literatura brasileira.

Em 1987, infelizmente, no Rio de Janeiro, o autor faleceu, doze dias após a morte de sua filha única, Maria Julieta Drummond de Andrade, amor maior da vida do autor.

Alguns poemas de Drummond

No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma pedra

no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento

na vida de minhas retinas tão fatigadas.

Nunca me esquecerei que no meio do caminho

tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

no meio do caminho tinha uma pedra.

 

JOSÉ

E agora, José?

A festa acabou,
a luz apagou,
povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

 

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