Projeto Social Casa Dom Barreto

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A Casa Dom Barreto surgiu há trinta anos, com o propósito de amparar crianças carentes, para que tivessem oportunidade de estudar, comer e brincar. Esse era o desejo de um homem, na época com apenas de 23 anos de idade, e que, com o passar dos anos, tornou-se referência e um marco para a educação piauiense. Esse homem era o nosso mestre Marcílio Flávio Rangel.

Há trinta anos, em Teresina, já havia crianças nas ruas,  trabalhando, completamente desassistidas e sem acesso à escola.  “Marcílio dizia que o sonho dele é que não tivesse crianças trabalhando no Brasil. O que mantêm e amplia o ciclo da pobreza em nosso país são as crianças trabalhando. Então ele queria possibilitar-lhes a oportunidade de estudar e brincar como qualquer outra criança. E Marcílio era educador. Ser educador é acreditar que todas as crianças, sem nenhuma exceção, têm o direito de crescer em um lugar saudável”, comentou a professora, coordenadora da disciplina de história do Instituto Dom Barreto e irmã do professor Marcílio, Socorro Rangel.

O Projeto Social Casa Dom Barreto tem por objetivo oferecer alimentação, assistência educacional, cultural, social, médico-odontológica e esportiva a crianças, adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade social, além de pessoas com deficiência. O regime de atendimento é de abrigo permanente desde 1984, quando foi instalada. As atividades são acompanhadas pelo Juizado da Infância e Juventude da Comarca de Teresina, pelo Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS, pelo Conselho Tutelar dos Direitos da Criança e do Adolescente e pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Teresina.

Ao assumir o Instituto Dom Barreto, o professor Marcílio o transformou em Fundação. Essa foi a oportunidade de compartilhar o que se tinha na Escola com a Casa, todos os tipos de recursos. O projeto é localizado no bairro Mocambinho, zona note da capital. O nome já diz, Casa.  A Casa Dom Barreto dispões de todos os cômodos que uma casa comum possui, na verdade, até mais.  É acolhedora. Ali há berçários, dormitórios, biblioteca, consultórios, cozinha e salas de estudo e recreação. Cada um desses cômodos possui nomes; é uma forma de prestar homenagem a pessoas conhecidas da comunidade que desenvolveram trabalhos na Casa.

A criação da Casa nasceu de um projeto que há anos Marcílio vinha idealizando. Nenhuma atitude tomada por ele foi por acaso, nada foi por impulso. Desde o início o Pai Marcílio, como era e ainda é chamado pelos moradores da Casa, sabia como iria e o que queria fazer. “Quando se trata da vida das pessoas o tempo é sempre urgente. Essa era a forma de fazer como ele achava justo. Ele sabia que queria ser professor, mas um professor que queria fazer a diferença. O Instituto Dom Barreto aconteceu para isso. O projeto era e é fazer uma escola sem exclusão”, pontuou Socorro Rangel.

A Casa Dom Barreto acolhe meninos e meninas carentes e outros até com deficiência. Há também aqueles filhos de mães que os deixam na Casa para poder trabalhar, pois o trabalho, às vezes como domésticas, muitas vezes exige que morem em casas de família. Outra grande demanda para a Casa é a estrutura familiar. Esta envolve uma série de requisitos, entre eles, por exemplo, uma condição financeira que possibilite a aquisição de recursos para amenizar a sensação de abandono,  descaso e desafeto.

A professora Socorro explica que  tudo idealizado no projeto é para que seja executado e que a Instituição funcione realmente como uma casa. “Com o tempo montamos uma estrutura para que funcione realmente como uma casa. E tentamos que eles entendam que funcione como uma família. São muitos casos, mas tratamos de um por um. Eles não são um coletivo, simplesmente porque estão morando na Casa Dom Barreto. Nós temos que construir esse sentido de coletivo aonde é possível, mas temos que preservar e resguardar a experiência de vida de cada um. É um cotidiano muito exigente”, comenta Socorro.

Hoje o ambiente possui cerca de setenta pessoas, entre crianças, jovens e adultos. Todas as crianças e adolescentes são alunos da Escola Popular Madre Maria Villac. Durante a semana todos os meninos e meninas da Casa Dom Barreto possuem uma semana de atividade bastante puxada e, da mesma forma, exigem-se resultados dos professores. As crianças têm tempo integral de estudo na Escola, também uma ideia do Professor Marcílio, pois isso tem transformado a vida de muitas crianças e adolescentes do bairro Satélite, onde a Maria Villac é localizada. No turno da manhã,  as crianças assistem aulas normais, no da tarde, ficam para o reforço escolar. Quando o aluno estuda no turno da tarde, acontece o inverso, pela manhã ele assiste às aulas de reforço.

Além das aulas normais, as crianças praticam outras atividades. Elas têm à disposição professores de judô, capoeira, teatro e música e cada aluno pratica em grupo a atividade com que mais se identifica. Uma professora está sempre de prontidão todos os dias, no contraturno, para receber os meninos que chegam à Escola, a fim de promover brincadeiras como instrumento de aprendizagem.

A organização na Casa é feita por setores. Existe o setor das crianças menores, chamado também como Berçário, dividido entre meninos e meninas, que acolhe bebês de zero a cinco anos de idade. O segundo setor compreende os dormitórios, também dividido entre masculino e feminino, da mesma forma que o  Berçário, isto é, organizado por idade. Todos os berçários e dormitórios possuem duas mães sociais por quarto que acompanham as crianças. Mãe Social é a pessoa responsável por educar e cuidar de crianças, adolescentes e jovens que, por diversos motivos, tiveram vínculos familiares fragilizados ou rompidos.

Na Casa também há outros profissionais envolvidos diretamente com o bem-estar, com o lazer e com a saúde dos meninos e meninas.  Além das mães sociais, conta com o trabalho de psicólogos, enfermeiros, professores, assistentes sociais e fisioterapeutas.

A Casa foi a primeira e a forma imediata que o Prof.  Marcílio Rangel encontrou de intervir na sociedade, no sentido de que todas as crianças pudessem assegurar seus direitos básicos. Quando instalada, ele decretou que na Casa Dom Barreto só teria uma lei: “Criança tem que brincar e estudar”. São crianças e jovens que amanhã, como adultos,  possam ter a oportunidade de ver seus direitos de cidadania mantidos e respeitados, com acesso à informações, aos estudos, à alimentação e ao lazer, além de serem reconhecidos como pessoas dignas e úteis à sociedade em que vivem.