TAREFAS ESPECIAIS XXXVI GINCANA “TERESINA, MEU AMOR”: #SextafeiraparaTereSINA

TAREFAS ESPECIAIS

XXXVI GINCANA “TERESINA, MEU AMOR”:

#SextafeiraparaTereSINA

 

TAREFA ESPECIAL Nº 1 – UMA CESTA PARA TERESINA, COMPROMISSO COMO SINA

 

O bicho

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

 (Manuel Bandeira)

 

A problemática da fome, comovente no poema de Manuel Bandeira, apresenta-se nua e crua pela dor do abismo de desigualdade que nos separa do homem tornado bicho. Na vida, como na arte, a “fome crônica”, como a definiu Josué de Castro[1], promove uma reflexão sobre a condição humana, mas exige uma posição. Qual é a sua? Qual é a nossa? Importante dizer que esta pergunta, uma questão de toda a humanidade, é para nós brasileiros algo realmente crônico e tão grave que o direito a uma boa alimentação, precisou ser tipificado e, mesmo o agravante sendo “gravíssimo” (como diriam os nossos parlamentares), é importante que lembremos que a sua incorporação na Lei só ocorreu recentemente, no artigo 6° da Constituição Federal, após a Emenda Constitucional 064/2010, que o inclui entre os direitos sociais individuais e coletivos. O que esta EC nos diz? Que apesar de estar no texto da Lei, o direito à alimentação ainda não era efetivo. Não era antes, como não é agora no tempo presente.

Neste trigésimo sexto ano da Gincana Cultural “Teresina, meu amor”, renovamos nosso compromisso de criar uma “cesta” para Teresina, não somente uma cesta básica, mas uma cesta farta de dignidade. Contudo, não podemos esquecer que a nossa cesta vai somente amenizar a distinção inumana que a fome impetra a muitos iguais a nós. Mais uma vez, e como um modo de agradecer o recorde atingido ano passado, ansiamos pela mobilização para a doação de alimentos, mas só isso não basta (“procure sempre ser o melhor, não melhor que os outros, mas o melhor de si mesmo”), é preciso que enfrentemos individual e coletivamente uma das causas da fome crônica em nosso Brasil: O DESPERDÍCIO DE ALIMENTOS em casa, nos restaurantes e, sobretudo, aqui na nossa escola.

Como afirma Anatole France: “A fome e o amor são os dois eixos do mundo. A humanidade gira toda sobre o amor e a fome”. Então, façamos de nossa cesta e de nossa sexta um momento de encontro com nossas humanidades para que possamos amenizar a fome cotidiana de nossos pares, fome não só de alimento, mas também de afeto, de carinho e de atenção.

 

OBSERVAÇÕES IMPORTANTES PARA EXECUÇÃO DA PROVA:

Os alimentos deverão ser organizados em forma de kits com a seguinte composição:

  • 5kg de arroz;
  • 2kg de feijão;
  • 1kg de farinha de milho (massa de milho);
  • 1kg de leite em pó.

O arroz e o feijão doados devem ser industrialmente ensacados, para que sejam considerados na apuração dos kits de alimentos, (não serão aceitas doações a granel), classificados como “tipo 2” (no mínimo) e com prazo de validade no rótulo.

Somente será contabilizado o leite em pó, industrialmente ensacado, com prazo de validade no rótulo (não serão contabilizadas as doações de compostos lácteos). Da mesma forma, somente será contabilizada a farinha de milho (massa de milho), industrialmente ensacada, com prazo de validade no rótulo.

Validade mínima dos produtos doados: 31 de dezembro de 2019.

Os alimentos fora da proporção do kit poderão ser aceitos como doação (desde que observem o padrão mínimo de qualidade), mas não serão computados para a prova.

 

LOCAL E HORÁRIO DE ENTREGA:

Ginásio Barretinho, das 14h às 16h do dia 10 de agosto de 2019 (sábado).

Não serão computadas as doações que não estiverem no Ginásio impreterivelmente até 16 horas.

 

EXECUÇÃO DA DOAÇÃO DE ALIMENTOS:

As quadras estarão divididas em dois espaços: um espaço para entrega, a ser utilizado pelas equipes para acomodação das doações (local próximo aos portões) e um espaço para armazenamento, destino dos alimentos após a conferência (arquibancadas).

No espaço de armazenamento, somente poderão permanecer membros da comissão organizadora e funcionários da equipe de serviços gerais.

As equipes deverão entregar à Comissão Organizadora, até às 16 horas, uma declaração indicativa da quantidade de kits doados.

A contagem dos kits será realizada pela Comissão Organizadora e conferida por um fiscal de cada equipe, no momento em que o alimento estiver sendo transportado para o espaço de armazenamento, após o que não haverá recontagem.

 

PONTUAÇÃO:

  • Doação de alimentos:

Cada kit valerá 1 (um) escore e aquela equipe que obtiver mais escores terá a pontuação completa desta etapa da prova será de 500 (quinhentos pontos). As demais equipes terão sua pontuação calculada proporcionalmente à da equipe vencedora.

 

 

TAREFA ESPECIAL Nº 2 – DIVULGAÇÃO INTERNA DA GINCANA CULTURAL: “TERESINA, MEU AMOR”.

 

A decoração dos diversos ambientes da escola com as cores, símbolos e nomes das equipes têm como objetivo apresentar ao público escolar, em sua totalidade, os projetos de cada uma das equipes: como elas encaram o tema, como escolheram se posicionar sobre as questões colocadas. O que desejam mobilizar em cada um dos seus membros e em cada um dos membros da comunidade? O que pensam ser importante dizer sobre as questões em tela? E, muito importante, como dizer?

Quando se trata de meio ambiente, imaginamos muitas vezes uma mudança radical, algo como uma transformação global que possa ser útil para corrigir os grandes problemas de

que hoje temos ciência e que sabemos ser importantes ou, no outro extremo, achamos que só atitudes pontuais, como fechar a torneira enquanto escovamos os dentes ou ensaboamos os cabelos, são suficientes para nos deixar dormir de “consciência tranquila”. Como diz o filósofo Bruno Latour: “antes, a angústia que a natureza nos causava vinha do fato de que éramos pequenos demais, e a natureza era imensa[1]”. A nossa expectativa é de que socializando o nosso potencial e trabalhando nossa mentalidade a respeito dos reflexos do consumismo e do desperdício que, muitas vezes, nos afastam dos interesses ambientais, possamos nos territorializar.

Portanto, além da tradicional decoração, será também avaliado o potencial informativo a respeito da situação do meio ambiente, no mundo e em particular na nossa cidade, e do trabalho desenvolvido com a conscientização de temas que são considerados,pelas equipes, imprescindíveis para difundir suas propostas, como dombarretanos e cidadãos teresinenses.

 

 

 

Lembremos que nossa avaliação não deverá recair apenas sobre o conteúdo apresentado, mas àquele vivenciado. Então, não basta só apresentar algo bonito, vale a pena refletir sobre o material a ser utilizado, no seu descarte, no lixo produzido, na forma como esse conhecimento está sendo repassado e compartilhado por todos os que, juntos, fazem as equipes acontecerem. Vamos tornar este conhecimento mais próximo de nós e nos atentar para que as mudanças nas nossas atitudes reflitam os nossos aprendizados.

 

Pontuação: de zero a 300 (trezentos) pontos.

Lembramos às equipes o dever de respeito entre si e em relação ao patrimônio da escola, bem como o fato de que a avaliação considera o processo de sensibilização no dia a dia, de modo que as equipes deverão comunicar a esta comissão, com antecedência de no mínimo 12h, quaisquer movimentos/estratégias que exijam avaliação no momento de sua execução.

Para melhor avaliação da divulgação, como um processo que devem ocorrer em todos os dias que antecedem a gincana, informamos que a avaliação deverá ser realizada em três momentos distintos (primeira, segunda e terceira semanas que antecedem o dia 16 de agosto).

 

 

TAREFA ESPECIAL Nº 3 – DO(R)AÇÃO

 

Olhar a natureza é olhar dentro-fora de nós. Entender simultaneamente o que nos cerca e o que nos habita como sendo parte de um organismo que ajuda a nos constituir como e com humanidade. Talvez pareça estranho afirmar que um dos elementos que nos torna humanos é a dimensão anima. Apenas a aparente contradição de uma ideia de humanidade que tenta se firmar em grau de superioridade se esquecendo que “a vida humana é apenas um subcapítulo do capítulo maior da vida”. Anima é a alma, assim descreve o dicionário. Não por acaso, animar é “dar alma a”. E porque não ser um humano-anima?! Ou seja,desenvolver a capacidade de dar alma a, de “sentir o outro; ter compaixão com todos os seres que sofrem, humanos ou não-humanos obedecendo mais à lógica do coração e da cordialidade do que à lógica da conquista e do uso utilitário das coisas”.

Por isso, outro conceito produtor dessa humanidade-anima é, sem dúvida, o cuidado. Cuidar é entrar em sintonia com as coisas. Isso implica ter intimidade com elas, senti-las de dentro, acolhê-las, respeitá-las, dar-lhe sossego e repouso. Auscultar-lhe o ritmo e afinar-se com ele. Cuidar é estabelecer comunhão. Estes são os antídotos ao sentimento de abandono. Este é o remédio que poderá impedir a devastação da biosfera e comprometer o frágil equilíbrio de Gaia. Este é o modo-de-ser que resgata nossa humanidade mais essencial, cuja força pode servir de plataforma para um novo ensaio civilizatório[…][1]”.

No ano da XXXVI Gincana “Teresina, Meu Amor”, o nosso convite desta prova é: juntos, estendermos os nossos cuidados àqueles que falam com os olhos e se alegram com o corpo todo e que, mesmo assim, sendo um repositório de amor e fonte inesgotável do bem, não têm o que precisam, mesmo precisando de tão pouco.  A proposta é que façamos doação de ração canina e felina para abrigos em Teresina. Mas, não só. Fazendo um pouco mais e celebrando os cinco R’s da sustentabilidade – Reutilizar, Reciclar, Reduzir, Recuperar e Reintegrar – a proposta se estende à doação de jornais para estas mesmas instituições que tentam promover uma vida animal digna, o que perpassa pelo acolhimento, cuidado e segurança, inclusive a segurança alimentar.

 

OBSERVAÇÕES IMPORTANTES PARA EXECUÇÃO DA PROVA

 – Lembrem que os jornais serão utilizados pelos abrigos de animais para manter a higiene do local, portanto, terá contato direto com os animais. Por isso, só serão aceitos jornais em bom estado de conservação. NÃO SERÃO ACEITOS JORNAIS MOLHADOS OU COM INADEQUAÇÕES AO USO QUE SERÁ DADO APÓS A DOAÇÃO (exemplo: rasgados em pequenos pedaços, com infestações de insetos, entre outros problemas).

– Só serão aceitas rações de QUALIDADE PREMIUM OU SUPER PREMIUM (sem distinção de marca), já que são as que oferecem nutrição adequada aos animais.

As rações fora destas especificações de qualidade poderão ser aceitas apenas como doação, não sendo computadas para a prova.

– Somente serão aceitos PACOTES LACRADOS DE FÁBRICA (não serão aceitas doações a granel) E COM A DATA DE VALIDADE NA EMBALAGEM.

VALIDADE MÍNIMA da ração doada: A PARTIR DE 31 DE DEZEMBRO DE 2019.

 

LOCAL E HORÁRIO DE ENTREGA:

Ginásio Barretinho, das 14h às 16h do dia 10 de agosto de 2019 (sábado).

Não serão computadas as doações que não estiverem no Ginásio impreterivelmente até 16 horas.

 

EXECUÇÃO DA DOAÇÃO DE RAÇÃO E JORNAIS:

As quadras estarão divididas em dois espaços: um espaço para entrega, a ser utilizado pelas equipes para acomodação das doações (local próximo aos portões) e um espaço para armazenamento, após a pesagem/contabilização (arquibancadas).

No espaço de armazenamento, somente poderão permanecer os membros da comissão organizadora e os funcionários da equipe de serviços gerais.

A pesagem dos jornais e das rações será realizada pela Comissão Organizadora e conferida por um fiscal de cada equipe, no momento em que o alimento estiver sendo transportado para o espaço de armazenamento, após o que não haverá recontagem.

 

PONTUAÇÃO:

  • Doação de jornais – Será feita a pesagem dos jornais. A equipe que obtiver a maior quantidade arrecada (em quilogramas) terá a pontuação completa desta etapa da prova será de 150 (cento e cinquenta pontos). As demais equipes terão sua pontuação calculada proporcionalmente à da equipe vencedora.
  • Doação de ração – Será feita a contabilização da quantidade de quilos considerando a informação da embalagem (só serão aceitas embalagens fechadas de fábrica. O produto que tiver qualquer violação na embalagem, não será contabilizado). Aquela equipe que obtiver a maior quantidade arrecada (em quilogramas) terá a pontuação completa desta etapa da prova, que será de 250 (duzentos e cinquenta pontos). As demais equipes terão sua pontuação calculada proporcionalmente à da equipe vencedora.

 

 

TAREFA ESPECIAL Nº 4: “A CABEÇA PENSA A PARTIR DE ONDE OS PÉS PISAM”

 “Ler significa reler e compreender. Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam. Todo ponto de vista é a vista de um ponto. Para entender como alguém lê é necessário saber como são seus olhos e qual a sua visão de mundo. Isso faz da leitura sempre uma releitura. A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam. Para compreender é essencial conhecer o lugar social de quem olha. Vale dizer: como alguém vive, com quem convive, que experiência tem, em que trabalha, que desejos alimenta, como assume os dramas da vida e da morte e que esperanças o animam. Isso faz da compreensão sempre uma interpretação. Sendo assim, fica evidente que cada leitor é sempre um co-autor. Porque cada um lê e relê com os olhos que tem. Porque compreende e interpreta a partir do mundo que habita. Convidamos você a fazer-se, junto com as forças diretivas do universo co-criador/ co-criadora do mundo criado e por criar.” Leonardo Boff

Inspirados nesta convocação, nós da Comissão Organizadora desta XXXVI Gincana “Teresina, meu amor” nos sentimos desafiados a lançar esta filosofiaque nos sensibiliza para uma nova percepção sobre o lugar a partir do qual constituímos nossa leitura sobre o mundo e que informa nosso ler e reler Teresina. Ao pensar sobre o “mundo” que habitamos em Teresina e sobre os limites de percepção que isso nos traz, convidamos vocês, gincaneiros, a reinventar o espaço onde pisam, sentir as pessoas com as quais convivemos, vivenciar as experiências e tudo aquilo que atravessa o seu, o nosso viver no mundo. Convidamos a todos a “fazer-se” de um modo mais plural e inclusivo; ir ao encontro do que nos é distante, chegar naqueles que nos são diferentes e, por vezes, indiferentes, sabedores que somos de nossas prévias visões.Busquemos, pois, novas formas de vê-los, ouvi-los e nos coloquemos  abertos a a viver seus dramas e suas conquistas.

Que neste “fazer-se” e neste “ir ao encontro de outros” possibilite que a XXXVI edição da Gincana “Teresina, Meu Amor”seja, mais uma vez,uma declaração do nosso amor pela nossa cidade, por todos os que nela vivem. Que estes encontros sejam vividos de fato, como um movimento de amor, de uma amor que se faz presente, escuta, intervém e reconhece. Nesta prova, os gincaneiros são chamados a perscrutar as regiões da cidade, esquadrinhando os bairros e as experiências que constituem “Teresina, meu amor”, para entender como se dá na sua pluralidade a relação entre cidade, comunidade e meio ambiente. O bom e o ruim; os sonhos e os pesadelos; o tido e o desejado; nosso lugar e responsabilidade. Sigamos a indicação de Benjamin: “Não saber se orientar numa cidade não significa muito. Perder-se nela, porém, como a gente se perde numa floresta, é coisa que se deve aprender a fazer” [1]

Nesta #SextafeiraparaTereSINA vamos pensar o local, mas conectados com o global: de Reykjavík[2], na Islândia, à Teresina. Pensemos, informados e inspirados pela Agenda 2030, nas diversas experiências desta conjunção cidade, comunidade e meio ambiente, valorizando as pessoas e grupos proativos que propõem, realizam e semeiam exemplos de convivência e acesso a um meio ambiente saudável como um direito e uma conquista de cada um e de todos nós.

Temas como a falta saneamento, produção e manejo dos resíduos sólidos, o lixo como agente de desequilíbrio ambiental e da saúde humana (em especial em regiões co

m menos desenvolvimento econômico) são questões que impactam tão negativamente a vida a ponto de colocar em xeque nossa própria humanidade. Entretanto, a ciência aponta saídas que precisamos conhecer e abraçar, a exemplo dos que defendem o manejo dos resíduos como um potencial econômico a ser explorado. O IPEA[1] publicou recente pesquisa que comprova que, no Brasil, 90% do lixo reciclado é devido ao trabalho de catadores, profissionais que são extremamente desvalorizados social e economicamente. Na mesma pesquisa, o órgão aponta o imenso desafio de ampliar usinas de reciclagem que atualmente só recobrem índices míninos de 13% dos resíduos sólidos, deixando de gerar cerca de R$ 5,7 bilhões para a economia nacional. Nosso salve, salve, para a rapaziada das comunidades que, “apesar dos pesares, ainda se orgulha de ser brasileiro[2]” e literalmente salvam a pátria a exemplo do premiado projeto Revolução dos Baldinhos, que nos leva para outra questão: a cobertura de tratamento das águas de esgotos. Pesquisada pelo Instituto Trata Brasil, em 2018[3], a cobertura de sistema de esgoto no país também é muito baixa, além de sofrer de variações regionais drásticas. Como está a cobertura de esgotos em Teresina?

Numa “Cidade Verde” a arborização urbana é tema fundamental, digamos até identitário, dada a importância que essa questão tem para a diminuição das amplitudes térmicas, especialmente em regiões com o clima mais seco e temperaturas mais elevadas como a nossa. Além de tudo isso, a arborização melhora o ar, protege o solo contra erosão, absorve a poluição da atmosfera e contribui para a ampliação da biodiversidade, ao servir como refúgio para a fauna. E como se tudo isso não bastasse a cobertura vegetal é também um elemento no favorecimento das sociabilidades com ganhos para todos, sobretudo para os velhos e crianças que usam esses espaços para ensinar e brincar. Para além dos espaços públicos como praças e calçadas, há que se pensar, incentivar e até legislar sobre a manutenção e preservação de árvores nos espaços privados e/ou aqueles em que a co-responsabilidade é dividida entre o poder público e o privado, como as calçadas. Em Teresina, a “Lei das calçadas[4]” já existe, mas está longe de ser efetivamente posta em prática. Por todo o mundo há também movimentos que desenvolvem diversas experiências de agricultura urbana, seja com hortas comunitárias, como as que temos na nossa cidade, e que poderiam ser mais valorizadas, se a elas pudéssemos acrescentar outras experiências, como nos projetos alemães de Schrebegarten e Interkulturelle Garten, que se constituem em rede como instrumentos de educação ambiental e desenvolvimento econômico sustentável, além de espaço de preservação de tradições e conexão cultural[5].

Nossa intenção, com esta prova é olhar para fora para melhor olhar para dentro e assim “cuidar do nosso umbigo”: PENSAR GLOBALMENTE E AGIR LOCALMENTE[6]. Quais são os dilemas ambientais para quem vive nos bairros teresinenses? Em quais bairros estas questões vêm sendo discutidas? Quais os problemas mais incisivos? Como a sociedade civil teresinense se insere na discussão e ação em torno dessas questões? Quais experiências individuais e/ou comunitárias servem de referência e inspiração?

 Pensando a cidade como um todo e refletindo sobre a questão ambiental, o que temos a aprender e ensinar uns aos outros que vivemos em comunidades diversas e muitas vezes desconexas? Como estes temas poderiam ter mais visibilidade e sobretudo mais VITALIDADE no dia a dia da nossa capital menina?

 

EXECUÇÃO:

A primeira etapa desta prova é a construção de um inventário sobre  as questões ambientais em Teresina. Para isso, cada equipe deve escolher, NO MÍNIMO, CINCO BAIRROS que representem a pluralidade de experiências de viver na nossa cidade e realize um trabalho de pesquisa junto às comunidades de cada um deles sobre as quesões ambientais, de modo a diagnosticar problemas, mapear iniciativas comunitárias que buscam enfrentá-los, além de especificar as condições das comunidades teresineses escolhidas, pontuando seus problemas e experiências positivas, assim como as equipes devem deixar suas contribuições, indicando também ideias que possam colaborar nos projetos a partir de outras experienciasvividas no Brasil e no mundo.

Ressaltamos, no entanto, que a pesquisa deve ser feita a partirda relação com as pessoas que habitam os espaços escolhidos, assim, como é imprescindível que o processo de escuta tenha como pressupostos 1) a valorização das diferentes formas de ver e de viver na cidade; 2) o compromisso de que a interação/ integração entre as equipes e a comunidade deve ser dar de modo que os conceitos e valores de cada uma das partes sejam valorizados e, por mais díspares, sejam integralizados, no desejo por uma cidade plural, mais verde, mais sustentável e acolhedora para todos, já que, como dito anteriormente, “olhos não se compram”. Todo o processo de pesquisa deverá ser documentado em entrevistas e registros áudio visuais que serão usados para fundamentar os produtos de pesquisa a serem executados pelas equipes.

Uma última dica que resgatamos do poeta: “o que importa nos homens são os olhos e os pés; trata-se de poder ver o mundo e ir ao seu encontro[7]”. Mas não esqueçam: olhos não se compram.

 

  • Produtos da pesquisa

Produto 1: Exposição

Cada equipe deverá construir uma exposição para apresentar o processo de pesquisa nesta prova, explicitando as questões ambientais trabalhadas, em cada bairro/comunidade, de modo que os espectadores possam melhor conhecer tanto os problemas como as iniciativas que buscam enfrentá-los. A exposição será apresentada à comunidade dombarretana ao longo do dia  6 de agosto de 2019 (terça-feira), iniciando-se às 9h e finalizando às 17h, e deverá ser o formato que cada equipe julgar mais adequado ao cumprimento do desafio aqui colocado, mas devem considerar a adequação ao material exposto, aos diferentes públicos que compõem nossa comunidade,e às paisagens de uma cidade, que são multidimensionais, carregadas de cores, cheiros, sabores. “A cidade se apresenta polifônica desde a primeira experiência que temos dela. (…) a cidade polifônica significa que a cidade em geral e a comunicação urbana em particular comparam-se a um coro que canta com uma multiplicidade de vozes autônomas que se cruzam, relacionam-se, sobrepõe-se umas às outras, isolam-se ou se contrastam; e também designa uma determinada escolha metodológica de “dar vozes a muitas vozes”[8].

 

  • Pontuação De zero a 500 (quinhentos) pontos.
  • Critérios – Serão observados para a avaliação desta prova:
  • Adequação ao tema da Gincana e à proposta desta prova.
  • Sustentabilidade no uso dos recursos e procedimentos usados para montar e desmontar a exposição.
  • Criatividade na forma de apresentar, discutir e trabalhar as questões definidas pela pesquisa.
  • Visibilidade dos sujeitos da pesquisa e suas pluralidades sociais.
  • Sensibilidade na forma de apresentar as pessoas e suas histórias.
  • Envolvimento das equipes e de seus diferentes membros no processo de pesquisa, no planejamento e na consolidação da prova.

 

Produto 2: Curta- metragem

 

O segundo produto de pesquisa deverá ser um curta (de duração entre 10 a 15 minutos) que deverá apresentar por outro ângulo as experiências e sobretudo os encontros vividos pelas equipes nos bairros, destacando as especificidades de cada um destes espaços que devem ser considerados “locus” deste organismo vivo e dinâmico que é uma cidade. O curta deve ser o olhar da equipe sobre este exercício de conhecer a(s) cidade(s) em sua pluralidade.

Para exibição do curta-metragem as equipes devem definir um espaço específico dentro do espaço destinado à exposição e devem também entregar à comissão, na hora da abertura da prova, uma cópia em pen drive da mídia produzida, que será disponibilizado para os jurados e depois arquivada.

Pontuação De zero a 300 (quinhentos) pontos.

Critérios que serão observados para a avaliação desta prova:

 

  • Adequação ao tema da Gincana e à proposta desta prova
  • Roteiro
  • Edição de conteúdo
  • Criatividade na forma de apresentar, discutir e trabalhar as questões definidas pela pesquisa
  • Visibilidade dos sujeitos da pesquisa e suas pluralidades sociais
  • Sensibilidade na forma de apresentar as pessoas e suas histórias

 

TAREFA ESPECIAL Nº 5 – UMA CHARANGA PARA JOBIM

Todos nós sentimos que no ano passado, a Gincana ficou mais pobre e mais triste, sem a prova das crianças do Ensino Infantil e, por isso, não queremos mais deixá-las escapar. Nesta edição, daremos a elas um lugar de fala especialíssimo, afinal, elas têm muito a dizer sobre o tema que aqui nos propomos a trabalhar: o meio ambiente, a cidade, nosso presente e nosso futuro. Valorizar e escutar o que as crianças querem dizer é parte fundamental do nosso processo de aprendizado e crescimento, por isso elas voltam a cena para dançar e cantar na companhia daquele que sempre será nosso Maestro Soberano, amigo dos pássaros, das flores, dos rios e mares, Tom Jobim.

 

EXECUÇÃO:

Nesta prova, as equipes deverão construir, com as crianças do Ensino Infantil, uma alegre charanga que, com muita movimentação, cores e instrumentos deverá se apresentar no Barretinho, no dia 13 de agosto de 2019, a partir das 18h. A sequência das apresentações será definida por sorteio.

Cada equipe terá como material básico de trabalho três músicas pré-selecionadas de Tom Jobim, sorteadas antecipadamente junto à Comissão organizadora, no dia da reunião de apresentação da prova, não podendo extrapolar o tempo limite de 20 minutos para execução da prova.

 

OBSERVAÇÃO:

Deverão participar desta prova, crianças do IDB, Zona Leste e MMV, no mínimo dois (2) representantes da equipe, professoras do Ensino Infantil, pais e mães dos alunos.

 

Pontuação  De zero a 400 (quatrocentos) pontos.

     Critérios Serão observados para a avaliação desta prova:

 

  • sustentabilidade no uso dos recursos;
  • criatividade na montagem e execução da Charanga;
  • uso dos recursos cenicos (figurino, maquiagem… )
  • uso de instrumentos
  •  participação efetiva das crianças na atividade; alegria e festividade na apresentação 

 

PAZ E BEM!

 

[1] Foto do lixão de Teresina. Extraído da reportagem https://www.meionorte.com/noticias/lixao-de-teresina-vai-passar-por-reciclagem-afirma-mpt-327391.

[2]Josué de Castro é um dos maiores pensadores do Brasil, em virtude, principalmente, das obras Geografia da Fome Geopolítica da Fome. Em seu artigo “A Fome”, faz uma análise de como percebeu a fome em Recife, compreendendo a fome no mundo e como existe um Tabu a respeito do tema. https://www.pjf.mg.gov.br/conselhos/comsea/publicacoes/artigos/arquivos/art_fome.pdf

[3]Bruno Latour é um dos filósofos franceses mais influentes da atualidade.

[4] Trechos desta tarefa retirados do artigo “O cuidado essencial: principio de um novo ethos”, de Leonardo Boff.

[5] BENJAMIN, W. Stadtebilder: Frankfurt em Main, Suhrkamp Verlag, 1955 (Trad. Itali. Immagini di cittá. Turim. Einaudi, 1971).

[6]Reykjavík é a Capital da Islândia.É a Islândia que lidera o EPI (sigla em inglês para Índice de Performance Ambiental). Nesse ranking, publicado a cada dois anos pelas universidades Columbia e Yale, nos EUA, os países são classificados de acordo com as medidas adotadas para proteger o meio ambiente.

[7]http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/situacao_social/131219_relatorio_situacaosocial_mat_reciclavel_brasil.pdf

[8] Música “Acredito na rapaziada” de Gonzaguinha.

[9]http://www.tratabrasil.org.br/images/estudos/itb/ranking-2018/realatorio-completo.pdf

[10] Lei Complementar Municipal n. 4.522/2014

[11]Hortas Interculturais. Nesses espaços, construídos em terrenos ociosos das cidades, moradores se juntam para cultivar plantas alimentares, ornamentais, medicinais, resgatar sementes e trocar conhecimentos. https://agroecologia.org.br/2015/08/17/hortas-urbanas-na-alemanha-acolhem-refugiados-atraves-da-linguagem-da-terra/

[12] Esta expressão, embora tenha caído em domínio público foi formulada pelo sociólogo alemão Ulrich Beck, que se dispôs a refletir sobre o fenômeno da globalização.

[13]  Alfred Doblin, personagem do filme Berlim Alexanderplatz, de R. Fassbinder.

[14] Ensaio “A cidade Polifônica” de Massimo Canevacci.

 

 

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