Daniel França

Daniel_Franca_-_AspimedDaniel França Mendes de Carvalho formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Piauí, com apenas 23 anos de idade. Ele fez residência em Neurocirurgia na conceituada Universidade Federal de Minas Gerais e aos 30 já assumia a chefia da maior equipe de neurocirurgia do Piauí. Daniel estudou no Instituto Dom Barreto do 5º Ano do Ensino Fundamental à 2ª Série do Ensino Médio. Além de aluno, o médico também foi monitor do IDB e ministrou, durante um ano, algumas aulas de Física e Matemática, no primeiro ano da faculdade. Estes seis anos que passou no IDB foram, segundo Daniel, essenciais em sua vida. “Uma das coisas mais importantes na minha vida foi eu ter estudado no Dom Barreto. Porque isso me deu, além de uma base estudantil, cultural e intelectual, uma bagagem de formação básica. Isso me trouxe uma disciplina de estudo, uma seriedade ao encarar essas coisas, que repercutiu, não só sobre mim, mas em todas as pessoas que saíram do Dom Barreto com algum sucesso. Quem faz sucesso dentro da escola, fatalmente fará sucesso fora dela. Se você se deu bem no Dom Barreto você vai se dar bem na vida”, conta.

Um dos fatos marcantes do nosso antigo aluno na sua trajetória no IDB foi que, aos 16 anos, passou em dois vestibulares: Medicina, na UFPI, destacando-se como o quarto colocado geral, e Administração, na UESPI, em segundo lugar geral. “Comecei a faculdade em 1997, finalizei em 2002. Felizmente, tive um aproveitamento muito bom. Fiz a faculdade, acompanhei o serviço de neurocirurgia durante seis anos do então Hospital Casamater. Acompanhei também o pronto-socorro do HGV e desde muito cedo comecei a entrar em cirurgia, a cuidar de pacientes, sempre ajudando as pessoas. Passei os seis anos estudando e tirando boas notas. Também fiz a prova de residência de neurocirurgia em algumas escolas e, então, decidi ficar na UFMG e fiz a residência inteira. Sempre que saía de Belo Horizonte ia visitar o Dom Barreto, independente da quantidade de dias que passava na cidade. Não é porque o Dom Barreto fez parte da minha história, é que eu passei a amar o IDB logo que entrei. Isso é muito bom para mim e repercute na minha vida até hoje”.20150525043807

O médico também acrescenta que a filosofia educacional é o que mais admira na escola. “No Dom Barreto você não é mais um. Você tem personalidade, você é avaliado, você é exigido. Eu sempre achei que fui exigido da maneira correta aqui [IDB], porque eu acho que não podemos criar ilusões de que na vida vai ser tudo muito fácil, muito tranquilo. O mundo é cruel e a vida também. E o IDB me preparou de certo modo a enfrentar desafios. Eu aprendi que quando você junta interesse e capacidade com determinação, você vence! Não tem outro segredo. E eu fui muito bem estimulado”, afirma.

Sobre o nosso saudoso professor Marcílio, Daniel conta que tinha um vínculo de amizade muito grande com o nosso Presidente de Honra. “Todas as loucuras que pensei em fazer na minha vida, ele me apoiou. Todas. Ele dizia: ‘Vai dar certo. Vá’. Era um grande amigo e transmitia para a gente a preocupação com o outro, com a nossa cidade, com a comunidade. Não foi só um lugar que eu vinha apreender conteúdo. Muito mais que isso, eu fui muito bem estimulado. Eu realmente tenho amor pelo colégio”.

20150525043910As conquistas profissionais

Daniel França fez residência médica na UFMG de 2003 a 2006. Em 2007, foi para uma cidade da França chamada Estrasburgo, que é fronteira com a Alemanha. Ele ficou por lá durante dois anos fazendo neurocirurgia endovascular. E novamente a disciplina que aprendeu no IDB o ajudou muito. “Por exemplo, lá eu convivia com pessoas mais idosas que tinham participado de guerras, que nasceram no pós-guerra e eu tinha a noção histórica muito clara, o que me ajudou a me integrar muito bem socialmente lá dentro. Aqui no IDB a gente aprendeu o conteúdo, a pensar, a contestar, a viver”.

O médico também possui um curso privado. É um curso intensivo de Neurologia e Neurocirurgia que acontece com uma periodicidade: ele se repete a cada 18 a 24 meses. Daniel também já foi professor de semiologia neurológica na UESPI e, atualmente, lidera dois hospitais em Teresina. “Eu coordeno a neurocirurgia do HGV e coordeno a neurocirurgia de outro hospital. Trabalho em outros hospitais de Teresina e tenho consultoria. Hoje eu prefiro estar operando a estar dando aula”, comenta.

No ponto profissional, uma das maiores conquistas foi, segundo Daniel, ter feito uma residência médica muito boa na UFMG e tudo que repercutiu disso. Hoje, o médico afirma que faz o seu trabalho com segurança e que faz um tipo de neurocirurgia que só uma média de duas mil pessoas no mundo fazem. “Fazer isso é uma coisa muito interessante para mim. É onde eu sempre foquei nos últimos vinte anos e tenho feito isso há uns quatro”.

Daniel ainda fala sobre as conquistas na área da saúde que trouxe para o Piauí, por exemplo, a embolização de aneurisma cerebral no Hospital Getúlio Vargas, no qual, antes, só havia no Hospital São Marcos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). “Agora, fazemos todos os dias. Imagine operar um aneurisma cerebral com o paciente acordado? Com anestesia local, sem sentir nada, só com um furo na perna e ainda no HGV? Isso é uma conquista interessante”, diz Daniel.20150525043836

Os desafios da profissão

“Meu maior desafio é ser neurocirurgião no Piauí, porque você ser neurocirurgião em um lugar que te dá todas as oportunidades, onde você tem toda uma estrutura favorável, onde tudo conspira para que você opere bem, é bem mais fácil do que você trabalhar na escassez. Aqui no Piauí estamos conseguindo, não apenas eu, mas toda a equipe de neurocirurgia do HGV. Estamos lá dentro todos os dias e conseguimos fazer cirurgias de altíssima qualidade, mas sem as condições estabelecidas. Então, realmente isso é uma conquista e, ao mesmo tempo, um desafio: fazer neurocirurgia de qualidade”, confessa Daniel.

Os planos para o futuro

O primeiro deles, de acordo com o médico, é oferecer à filha Valentina o padrão de formação que teve. “Quero vê-la crescer e crescer bem, crescer como pessoa, também quero continuar cumprindo a minha missão de médico. Tenho outros projetos de educação via internet, inclusive, pretendo colocar esse curso que tenho na internet, disponível para o mundo inteiro e traduzido para várias línguas, porque foi um curso que demorou dez anos para ser montado. Tenho outros projetos, incluindo a questão do trânsito, pois tenho uma linha de pesquisa no HUT sobre acidentes de moto. Mas tenho um projeto maior para isso que está em desenvolvimento: encontrar meios de evitar esse tipo de acidente”.

20150525043829Mensagem final para os nossos Brilhantes Amanhãs

“Invistam em vocês. É árduo, é duro, é pesado, dá trabalho, mas se cobrem, tentem dar o melhor que vocês podem, pois não será em vão. Eu sempre digo, tentem criar a história de vocês, que começa aqui no Dom Barreto. As pessoas vão atrás de saber quem é você. Não é apenas na faculdade. É lá atrás. E se você faz sucesso no IDB, isso vai repercutir positivamente para você, diretamente, porque isso vai te dar base para enfrentar a vida e, indiretamente, porque vai te dar reconhecimento. As cobranças que o IDB te submete são cobranças completamente comparáveis e equivalentes as cobranças da vida. Tente dar o melhor de si, sempre, e não se vitimizar. Eu fui o mais novo neurocirurgião da história do Brasil, eu entrei na residência em neurocirurgia com 23 anos e acabei com 26. Eu fui especialista em neurocirurgia pelo Ministério da Educação e pela Sociedade Brasileira de Neurocirurgia. Então, com 30 anos de idade eu virei chefe da maior equipe de neurocirurgia, porque eu tinha uma história por trás e estava credenciado para isso, já que o Dom Barreto me permitiu. A primeira parte da escalada foi aqui. A gente sai daqui e bate todo mundo que está fora. Sempre foi assim”.

Paz e Bem!