No IDB, Dia do Carinho é também Dia da Saudade

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Há 9 anos o Instituto Dom Barreto adotou o dia 17 de agosto como o Dia do Carinho. A data é uma homenagem ao aniversário do Professor  Marcílio Flávio Rangel de Farias que, se vivo estivesse, faria, hoje, 59 anos. No dia 10 de maio de 2006, Professor Marcílio nos deixou prematuramente aos 49 anos mas, antes de partir, plantou uma semente que, até hoje, dá frutos: um modo de educar baseado, também, no afeto e no cuidar.

O professor de matemática que nasceu na Paraíba, assumiu a direção do Instituto Dom Barreto, em 1983, à convite das Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado. Professor Marcílio viveu, em menos de meio século, a intensidade de uma vida breve que se mantém viva em histórias contadas em depoimentos emocionados de familiares, amigos, alunos antigos, colaboradores. Foram caminhos  e possibilidades que se abriram  a partir de uma conversa simples com ele. São lembranças de gestos inesquecíveis que orquestrava doçura e a seriedade dos compromissos assumidos. Um projeto de vida abraçado por muitos que se mantém vivo, também, naqueles em iniciativas sociais e educação de excelência. Enfim, famílias, alunos e professores que, com dedicação, fazem desse projeto de educação um caminho sem volta, cheio de surpresas e alegrias. Por tudo isso, 17 de agosto é dia do Carinho e da Saudade do professor Marcílio Rangel.DSC_2302

Nós conversamos com o psicanalista mineiro, professor doutor da UFPI, Cássio Eduardo Soares Miranda, para entender melhor sobre o afeto em processos de Ensino e Aprendizagem e ele nos lembra que, mesmo com pouca teoria sobre o assunto,  a maior parte dos autores, como Sigmund Freud, Jacques Lacan e até mesmo Jean Piaget destacam a importância do afeto como um facilitador do processo de aprendizagem.  Piaget chega a dizer que a inteligência e a afetividade são indissociáveis. “Sendo assim, uma escola que se preocupa com a boa formação de seus alunos, deve pensar que sua missão se divide em duas: transmitir conhecimentos sistematizados e formar integralmente o aluno-cidadão. Cabe à escola, em sua ação pedagógica, possibilitar que os afetos positivos circulem entre seus muros, a fim de que a dureza de suas paredes e os conteúdos transmitidos sejam amenizados por aquilo que o afeto nos proporciona: a consideração pelo Outro”, diz o professor.

Indo além da filosofia e dos processos de Ensino e Aprendizagem que adotam o afeto como uma das ferramentas importantes, começamos a pensar no afeto e no carinho  que se aprende em casa, na família, e que ganham o mundo e se inserem nas relações de toda ordem.

DSC_1534A reportagem do Portal IDB quis saber mais sobre esse carinho aprendido e colocado em prática e começamos na casa do professor Marcílio Rangel, que é homenageado na data que dá título a nossa matéria. As filhas Marcela e Camila foram representadas pela mãe, Dra Natércia Ferreira Damasceno Rangel, que nos disse emocionada: “carinho é uma demonstração de afeto e de cuidado para com as pessoas com quem estabelecemos uma relação ou uma simples empatia. A roupagem com que o carinho se reveste é feita de palavras, de geastos, de sentimentos, de alegria, de um estar pleno que se traduz em cuidados, em mimos, em bem querer! Sei de alguém que tinha um carinho especial com as crianças, com os idosos, com os animais, com as plantas, com as artes, e sobretudo, com o Deus que habitava dentro dele! Esse carinho não conhecia fronteiras! Enchia o seu coração e transbordava para todos aqueles que o rodeavam! Mas era feito em silêncio, sem barulhos, como pingos de chuvas fininhos! E eu me abrigava nessa ilusão de que seria para sempre! E o para sempre não existe! Mas aquele carinho nos bastou enquanto esteve conosco! Hoje, quero agradecer esse carinho, sabendo que onde ele estiver carinhosamente vela por nós!”

No IDB, fomos ao encontro de duas garotas, ainda hoje alunas do IDB, que tinham 6 e 4 anos na semana em que professor Marcílio morreu. Bianca Carvalho, a criança que escreveu sobre a “Folha do Algodoeiro” está com 14 anos. “Não mudaria nada no texto que eu escrevi, eu sinto a mesma coisa, o mesmo amor, eu me sinto melhor no IDB do que na minha casa, sempre foi assim, au amo essa escola”, diz Bianca. Celina Sinibú, com 13 anos, é a garotinha da foto do nosso banner do Dia do Carinho. Celina nos diz com os olhos cheios de lágrimas, “eu sou muito feliz porque eu era e sempre serei a menina da foto que o prof Marcílio beijou, eu ainda tenho o vestido e a foto em casa. Essa história sempre me emociona, é uma história pra guardar”.DSC_2297

Texto completo da Bianca Carvalho:

“Pouco antes de ir para o céu, ele substituiu as árvores, depois que ele morreu elas cresceram com as folhas em formato de coração para que todas as crianças continuem a serem recebidas com muito amor quando chegam na escola, e para que as pessoas nunca esqueçam de que era assim que ele fazia”.

A professora Bernadete Rangel nos explica como o algodoeiro tornou-se a árvore símbolo do IDB. “A ideia do Marcílio sempre foi oferecer também uma escola verde, e ele amava flores amarelas”. O formato de coração das folhas acabou sendo adotado pelos alunos. A ideia da data do Dia do Carinho tem conexão com tudo isso,  é também alimentar nas crianças  que não conheceram o professor Marcílio,  o carinho do respeito, da dedicação, do pensar na criança em toda a sua integridade.  Não existe educação sem afetividade.” O IDB “doce”, do mel, do brincar, do se sentir bem, nasceu do carinho e do afeto de quem projetou a escola para ser assim.

Entre um encontro e outro, uma entrevista e outra, em meio a paredes coloridas, cheias de poesias e de plantas em todos os tons de verde, corredores e refeitórios, onde obras de arte se misturam a alunos vibrantes e inspirados, finalmente conseguimos uma pausa na agenda mais difícil do dia, a da professora Socorro Rangel, a criadora do Dia do Carinho. Ela relutou em falar, abriu caixas, subiu em cadeiras para alcançar em estantes fotos e textos, abriu arquivos no computador, mas nada disso escondeu o coração apertado, as memórias do irmão nunca sairão da sua cabeça, o esforço era uma tentativa de disfarcar a emoção e essa foi uma das partes mais delicadas da nossa reportagem. De novo, a clareza e convicção que era mesmo necessário um dia para lembrar com carinho de alguém tão especial para todos. Chorando, professora Socorro leu pedaços da história, escrita aqui por ela, que vamos dividir:

DSC_1037“São as águas da delicadeza que movem o mundo. Uma palavra amorosa,um gesto,uma carícia, fazem a terra mais azul”. Afinal, este poema parece ter sido feito para o Dia do Carinho Dombarretano, não é mesmo? Pois a ele queremos acrescentar uma ideia: a do carinho que informa os “heróis de pequenas causas”. E quem são esses? São aquelas pessoas capazes de estar o tempo todo atentas para a vida ao seu redor. Estamos falando aqui não só dos amigos e da família, mas, inclusive, das pessoas que não conhecemos.”

Os “heróis de pequenas causas” se importam com os outros e os ajudam nos detalhes do dia a dia: apanham um lápis que caiu, cedem sua vez na fila se percebem que a pessoa de trás está mais apressada, dão um abraço sem nenhum motivo especial, ajudam seu colega que está com dificuldade numa matéria ou num assunto, abrem a porta para os professores quando eles chegam na sala ou estão saindo dela carregados de livros ou, simplesmente, por gentileza. Gentileza, este é o poder especial destes heróis que enchem o mundo de sorrisos. E o que pode ser mais bonito que um sorriso? Espalhe, então, por aí motivos para fazer as pessoas sorrirem e seja mais um filiado ao Dia Dombarretano do Carinho pelo professor Marcílio Rangel.

A opção pela data tem uma explicação. Segundo a professora Stela Rangel, diretora do Instituto Dom Barreto, o Dia do CarinhoDSC_1543 foi uma forma que a escola encontrou para comemorar o aniversário do professor Marcílio.  Foi proposital. Ele nasceu no dia 17 de agosto e faleceu no dia 10 de maio. A Igreja orienta que depois da morte, seja considerado o dia da morte, não o aniversário, então ficava sempre aquela lacuna. Mas todos os anos, nós sempre comemorávamos, de uma forma ou de outra, o aniversário dele. Então, resolvemos instituir o dia 17 como Dia do Carinho. Uma forma de agradecer e reconhecer tudo o que ele fez por toda esta comunidade e também de conservar, fazer disso uma memória, porque, a cada ano, paramos para refletir, para pensar nos ideias da instituição, que, hoje, são os ideais dele, pois fizemos questão de mantê-los, porque a gente também acredita e temos total convicção de que comemorar Marcílio é comemorar a escola. Então, na concepção da instituição, o dia passou a ser Dia do Carinho pelo carinho que ele dedicou às crianças, às instituições, aos idosos, aos amigos, à escola de forma geral”

Antes mesmo de se tornar diretor da escola, Marcílio sempre foi uma pessoa extremamente carismática, desde pequeno. Muito estudioso e determinado. Acho que até por isso, ele foi convidado para ser diretor da escola, para continuar a missão das Irmãs DSC_1078da Congregação. Com a convivência, elas devem ter percebido que ele tinha o perfil da pessoa que elas procuravam”, disse  a professora Stela sobre a escolha da data.

Para a Professora Márcia Rangel,  “o  Marcílio foi uma pessoa que deu a vida dando carinho para as outras pessoas, então, de alguma forma, a vida dele foi gerada a partir do servir”, disse .

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No IDB EU APRENDO….o Dia do Carinho é todo dia!

Paz e Bem !

Reportagem: Maia Veloso

Programação Dia do Carinho

7h e 13h 20, no Memorial – Apresentação dos Professores de Música, ainda no Infantário e IDB Leste.

Crianças do Infantil recebem o dedoche  especial com a história do Sapinho em sala.

18h – Lançamento do livro “De Outro Olhar do Coração “, de Clarissa Villar com crônica em homenagem ao professor Marcílio Rangel, no Barretinho.