Campanha IDB de Sustentabilidade – Dia 06

20150429050728

Economizar energia elétrica é algo fundamental nos dias atuais. Além de ser uma atitude sustentável, ela ainda gera economia de dinheiro. Neste contexto, novas alternativas de energia já são pensadas para diminuir cada vez mais o impacto no meio ambiente. O texto a seguir é de Marcos Lira, professor do curso de Engenharia Elétrica da Universidade Federal do Piauí. Nas próximas linhas, você pode conhecer mais sobre as energias limpas alternativas e de que forma elas contribuem  para a preservação da natureza.

“Os impactos ambientais oriundos do setor energético estão presentes em todo o seu processo de desenvolvimento, desde a obtenção de recursos naturais usados no processo de conversão de energia, quanto nos seus mais variados tipos de usos finais deste recurso. Numa escala global, a energia tem papel ímpar nos principais problemas ambientais atuais.

O Brasil começou o ano de 2015 com 6 GW (gigawatts) de potência eólica instalada, o equivalente a 4,5% da potência de todas as usinas geradoras do país. De acordo com a ABEEólica, o crescimento deve continuar, mantendo a projeção da entidade de terminar o ano de 2015 com 9,8GW de capacidade instalada. Este cálculo é baseado nos projetos contratados nos últimos leilões. Com a entrada em operação de novos parques nos próximos anos, o Brasil alcançará uma potencia instalada de 15,2 GW em 2019.

A expansão foi substancial, porém está aquém dos principais investimentos mundiais em energia eólica. A China, por exemplo, planeja investimentos de mais de 40 bilhões de dólares nesse setor. A perspectiva a longo prazo são promissoras. Uma avaliação feita pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), em 2011, indicou que o potencial de geração de energia eólica do país é de, pelo menos, 300 GW. O montante é superior ao potencial hidrelétrico brasileiro, estimado em 261 GW.

Já que a energia é essencial no crescimento econômico do país, mais importante do que simplesmente garantir o seu fornecimento é fazê-lo de maneira sustentável. Só assim, pensando na relação do homem com o meio ambiente, hoje e nas gerações futuras, é que poderemos vislumbrar a harmonia entre energia, economia e crescimento sustentável.

Hoje, há um forte apelo que se espalha por todo o mundo no tocante aos aspectos ambientais que envolvem o planeta e consequentemente a humanidade. As metas integradas de segurança energética e redução da pobreza também estão estritamente relacionadas com a necessidade de reduzir a poluição do ar e resolver o problema das mudanças climáticas. Assim, a produção de energia limpa e renovável desponta como uma solução de longo prazo desses problemas.

A presença de projetos de energias renováveis em áreas rurais e costeiras, especialmente em áreas que carecem de desenvolvimento econômico, pode trazer diversos benefícios para a comunidade. Características socioeconômicas de muitas regiões, como alto desemprego, falta de alternativas de desenvolvimento econômico e altas taxas de migração da população economicamente ativa, fazem com que seja vantajoso o investimento nessas tecnologias. As usinas de geração de energias renováveis são frequentemente menores e mais dispersas que usinas tradicionais, e por esse motivo encontram-se muitas vezes situadas em áreas rurais e costeiras de baixa densidade demográfica. Devido a essa característica, a construção dessas usinas demanda maior quantidade de mão de obra, e gera potencial para a capacitação e emprego de populações rurais em diversas localidades. Apesar disso, tanto na etapa de construção quanto de operação da usina eólica, a quantidade de empregos gerados é menos que nas hidrelétricas.

O estado do Piauí tem um potencial de geração de energia elétrica ainda desconhecido, sobretudo quando se fala em energia solar e eólica. Quase que a totalidade da demanda energética do estado é atendida pela geração hidrelétrica. Em termos de geração eólica, o estado conta com uma potência instalada de 88 MW. A energia eólica tem se notabilizado no Piauí principalmente pela ampliação das possibilidades de instalação de novos parques. O estado foi o que mais vendeu no último leilão realizado pelo Ministério de Minas e Energias para fontes alternativas de energia. No leilão, realizado em novembro de 2014, dos 800 MW comprados, 240 são do Piauí. Os projetos vencedores estão localizados na Chapada do Araripe, na região abrangida pelos municípios de Simões e Marcolândia, que se juntam a outros 400 MW do município de Caldeirão Grande.

O estado vive a expectativa de ter sua primeira usina solar fotovoltaica. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou a construção de uma usina na cidade de São João do Piauí, o empreendimento terá capacidade para produzir 28,5 MW e o leilão acontecerá ainda em 2015. Já a energia solar térmica é uma realidade no estado e deverá ter seu uso ainda mais difundido, uma vez que muitos dos novos empreendimentos do programa “Minha Casa, Minha Vida” já estão incluindo nos projetos a instalação de placas solares térmicas”.

Marcos Lira também é Doutorando em Desenvolvimento e Meio Ambiente da Universidade Federal do Piauí – UFPI; Mestre em Ciências Físicas Aplicadas – Linha de Pesquisa: Fontes Alternativas de Energia (UECE); Graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Ceará (2009) e Graduado em Licenciatura Plena em Física pela Universidade Estadual do Ceará (2007).

Paz e Bem!