Dia Nacional do Bumba-meu-Boi

20150625045717Hoje, 30 de junho, comemora-se o Dia Nacional do Bumba-meu-Boi, uma dança folclórica brasileira que gira em torno de uma lenda que conta a história da morte e ressurreição de um boi. A seguir, confira o texto que a professora de História do Ensino Fundamental do Instituto Dom Barreto, Laura Brandão, escreveu sobre este personagem da nossa cultura tão importante para nossas tradições.

“A tradição do Bumba-meu-boi se insere no imaginário místico-religioso dos nordestinos. Trata-se, concomitantemente, de uma festa e de uma celebração que remetem aos tempos do Brasil colonial. Alguns registros do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) apontam o surgimento dessa festa por volta do século XVIII e como sendo uma mistura de elementos da cultura africana, indígena e européia, sendo, por esse motivo uma representação da própria cultura brasileira, que tem por base a miscigenação desses grupos étnicos e culturais. É baseado no cristianismo e, sobretudo no catolicismo popular, ao envolver a devoção aos santos São João e São Pedro. Também se enraizou nos cultos afros como o Tambor de Mina. 

Essa manifestação cultural possui muitas denominações pelo Brasil, tais como Boi-Bumbá ou Boi-Calemba. Todos, entretanto, remetem a uma mesma história, que possui como enredo um fazendeiro que possuía um boi muito bonito e que tinha a aptidão de dançar. Um trabalhador da fazenda rouba o boi a pedido de sua esposa Catirina, que estava grávida e fora acometida por uma vontade de comer a língua do boi. O crime do Pai Chico é descoberto e ele passa a ser perseguido pelos vaqueiros da fazenda. Quando é preso, é submetido à muitos castigos e para não morrer se vê obrigado a ressuscitar o animal. Quando o boi renasce, inicia a festa.

Essa história, que se transformou em  festa atravessou muito tempo, chega até nós, na contemporaneidade como um elemento que retrata o imaginário dos nossos antepassados. Mesmo que essa festa remeta à uma história que, provavelmente não aconteceu, sendo, portanto, um mito, ela também pode ser objeto do estudo da história, uma vez que permite nos aproximar e compreender a cultura religiosa de muitas pessoas. O que entrou em questão nos últimos anos foi a salvaguarda desse bem, ou seja, como resguardar essa história e não permitir que ela se perca no tempo. O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, discutia desde de 2008 sobre isso e, recentemente, transformou o Bumba meu Boi em Patrimônio Cultural do Brasil.

Transformar esse bem em Patrimônio Cultural do Brasil é, sem dúvida, o reconhecimento da importância desse na nossa cultura, uma vez que atingido esse status, de certo, políticas públicas serão voltadas à ele no sentido de resguardar para as gerações futuras essa importante representação do imaginário popular brasileiros, sobretudo nordestino”.

Laura Brandão, além de professora do IDB é Especialista em História Cultural – Faculdade Maurício de Nassau – e Mestranda em História do Brasil – UFPI.

Paz e Bem!