Há 23 anos, morria o poeta, tradutor e jornalista brasileiro, Mário Quintana

Mário Quintana é um dos mais queridos e populares escritores do Brasil. Poeta das singelezas, mestre dos aforismos, deixou uma vasta contribuição para nossa literatura. Quintana foi também tradutor – é dele a tradução de dois clássicos da literatura: Em busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust, e Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf.
 
Quintana continua presente no imaginário coletivo, dividindo o posto, ao lado de Clarice Lispector e caio Fernando de Abreu, de autores brasileiros mais citados e parafraseados na internet, sobretudo nas redes sociais. 

Considerado um dos maiores poetas do século XX, Mário Quintana nasceu em 1906, na cidade de Alegrete, no Rio Grande do Sul. Filho de Celso de Oliveira Quintana, farmacêutico, e de Virgínia de Miranda Quintana, foi mestre da palavra, do humor e da síntese poética, recebendo, em 1980 o Prêmio Machado de Assis da ABL e, em 1981, foi agraciado com o Prêmio Jabuti.

Conheça a história de Mário Quintana

Iniciou seus estudos na escola do português Antônio Cabral Beirão, em sua cidade natal. Estudou francês e já mostrava interesse pela escrita. Em 1919, mudou-se para Porto Alegre, onde estudou, em regime de internato, no Colégio Militar de Porto Alegre. Nessa época, publicou seus primeiros trabalhos na revista Hyloea, da Sociedade Cívica e Literária dos Alunos do Colégio Militar.

Em 1923, Mário Quintana publicou um soneto no jornal de Alegrete, com o pseudônimo de “JB”. Em 1924, deixa a escola militar e se emprega como atendente na livraria O Globo, onde permanece durante três meses. Em 1925, retorna para Alegrete, onde passa a trabalhar na farmácia da família. Em 1926, fica órfão de mãe e no ano seguinte seu pai falece. Nessa mesma época é premiado no concurso do jornal Diário de Notícias de Porto Alegre com o conto “A Sétima Passagem”.

Em 1929, Mário Quintana começou a trabalhar como tradutor na redação do jornal O Estado do Rio Grande. Em 1930, a Revista Globo e o Correio do Povo publicam os versos do poeta. O jornal O Estado do Rio Grande é fechado, época da Revolução de 1930, quando Quintana parte para o Rio de Janeiro, onde entra como voluntário para o 7º batalhão de Caçadores de Porto Alegre. Seis meses depois retorna para Porto Alegre e reinicia seu trabalho no jornal O Estado do Rio Grande.

Em 1934, a Editora Globo publica o livro “Palavras e Sangue”, cuja obra, originalmente escrita por Giovanni Papini, foi traduzida por Mário Quintana. O poeta também traduziu autores como Voltaire, Virginia Woolf e Maupassant. Traduziu também “Em Busca do Tempo Perdido”, de Proust, entre outras obras. Em 1936, Mário Quintana transfere-se para a Livraria do Globo, onde trabalha com Érico Veríssimo. Nessa época seus textos são publicados na revista Ibirapuitan. Em 1951, publica “Espelho Mágico”, com prefácio de Monteiro Lobato.

Em 1940, é indicado para a Academia Brasileira de Letras. Nesse mesmo ano publica o livro de poemas “A Rua dos Cataventos”, que passa a ser usado como livro escolar. Em 1966, publica “Antologia Poética”, organizado pelos escritores Paulo Mendes Campos e Rubem Braga. Foi saudado pela Academia Brasileira e Letras pelo Poeta Manuel Bandeira. Em 1980, recebeu o prêmio Machado de Assis da ABL pela obra total e em 1981, foi agraciado com o Prêmio Jabuti de Personalidade Literária do Ano.

Mário Quintana não se casou nem teve filhos. Viveu de 1968 até 1980 no Hotel Majestic, no centro histórico de Porto Alegre. Desempregado, sem dinheiro foi despejado e, em seguida, alojado no Hotel Royal, no quarto de propriedade do ex-jogador Paulo Roberto Falcão. A poesia, embora considerada por ele “um vício triste”, foi sua maior companheira.

O grande poeta faleceu no dia 5 de maio, de 1994, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, de insuficiência cardíaca e respiratória.  Sua morte aconteceu quatro dias depois da tragédia de Ayrton Senna e comoveu tremendamente o Rio Grande do Sul. Ele estava internado no Hospital Moinho de Ventos em Porto Alegre com infecção intestinal e insuficiência respiratória. Mário está sepultado no Cemitério São Miguel e Almas, em Porto Alegre.

Obras de Mário Quintana

A Rua dos Cata-ventos (1940)
Canções (1946)
Sapato Florido (1948)
O Batalhão de Letras (1948)
O Aprendiz de Feiticeiro (1950)
Espelho Mágico (1951)
Inéditos e Esparsos (1953)
Poesias (1962)
Antologia Poética (1966)
Pé de Pilão (1968) – literatura infantojuvenil
Caderno H (1973)
Apontamentos de História Sobrenatural (1976)
Quintanares (1976)
A Vaca e o Hipogrifo (1977)
Prosa e Verso (1978)
Na Volta da Esquina (1979)
Esconderijos do Tempo (1980)
Nova Antologia Poética (1981)
Mário Quintana (1982)
Lili Inventa o Mundo (1983)
Os Melhores Poemas de Mário Quintana (1983)
Nariz de Vidro (1984)
O Sapato Amarelo (1984) – literatura infantojuvenil
Primavera Cruza o Rio (1985)
Oitenta Anos de Poesia (1986)
Baú de Espantos ((1986)
Da Preguiça como Método de Trabalho (1987)
Preparativos de Viagem (1987)
Porta Giratória (1988)
A Cor do Invisível (1989)
Antologia Poética de Mário Quintana (1989)
Velório sem Defunto (1990)
A Rua dos Cata-ventos (1992)
Sapato Furado (1994)
Mário Quintana – Poesia completa (2005)
Quintana de Bolso (2006)
Objetos Perdidos y Outros Poemas (1979) – Buenos Aires, Argentina.
Mário Quintana. Poemas (1984) – Lima, Peru.