Nobel de Física 2015 vai para experimentos com partículas subatômicas

O Prêmio Nobel de Física foi concedido hoje (6) ao japonês Takaaki Kajita e ao canadense Arthur B. McDonald por seus trabalhos sobre os neutrinos, partículas elementares. O júri sueco premiou os dois pesquisadores “pela descoberta das oscilações dos neutrinos, que demonstram que as partículas têm massa”, o que permite compreender o funcionamento interno da matéria e, dessa forma, conhecer melhor o universo.

Os neutrinos resultam de reações nucleares e, juntamente com os fótons, são as partículas mais abundantes no universo. Sua existência foi citada pela primeira vez em 1930, mas só foi provada nos anos 50, quando os reatores nucleares começaram a produzir feixes de partículas.

A teoria que prevalecia era que os neutrinos não tinham massa, mas as experiências feitas por Kajita, no Japão, e McDonald, no Canadá, demonstraram que têm. Os dois cientistas descobriram que muitos neutrinos que se deslocam do Sol para a Terra, oscilaram e transformam-se em partículas diferentes, o que implica, segundo as regras da física quântica, a existência de massa.

O experimento no qual Kajida trabalhou foi o Super-Kamiokande, um conjunto de dectores de 40 metros de altura construído numa mina de zinco a 1 km de profundidade. Esse projeto, perto de Tóquio, estudava neutrinos produzidos por raios cósmicos na atmosfera terrestre. McDonald trabalhou no Observatório de Neutrinos de Sudbury, que estudava neutrinos produzidos pelo Sol. O projeto consistia em detectores instalados dentro de uma caverna aberta por uma mina de níquel no estado canadense de Ontario, a 2 km de profundidade.

Em entrevista coletiva por telefone logo após ser comunicado sobre o prêmio, McDonald afirma que ser apontado vencedor era uma “experiência assustadora”. Segundo ele, o trabalho em Sudbury não trazia uma garantia de descobrir efetivamente algo novo. “Houve um momento nesse experimento em que pudemos ver que neutrinos pareciam mudar de um tipo para o outro durante sua viagem do Sol à Terra”, contou.

Kajita, ao conceder entrevista, disse considerar sua indicação para o prêmio “inacreditável”, apesar de ter fé na importância de seu trabalho. “Ele claramente trata de uma física que está além do Modelo Padrão”, afirmou.

Sobre os pesquisadores

Takaaki Kajita nasceu em 1959 em Higashimatsuyama, no Japão, e doutorou-se em 1986 pela Universidade de Tóquio, onde é professor catedrático e dirige o Instituto de Investigação de Raios Cósmicos. Já Arthur B. McDonald nasceu em 1943 no Canadá, doutorou-se em 1969 no Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena (Estados Unidos) e é catedrático emérito da Universidade de Queen’s, em Kingston, no Canadá.

Os dois vão dividir o prêmio, de 8 milhões de coroas suecas (cerca de 855 mil euros).

 

Fontes: G1, Reuters e Agência Brasil