Revolução Farroupilha

Atq8Wgz4FCfX4duc-YZb1c7H_wwQZGTvZDBCWRVGSDzeÉ bastante comum afirmar que a unidade política e territorial do Império brasileiro esteve ameaçada durante o período regencial (1831 – 1840). Esta afirmação é reforçada através do advento de inúmeras revoltas neste período, entre elas a revolução Farroupilha ou Guerra dos Farrapos no Rio Grande do Sul, assim chamada pelas roupas esfarrapadas dos revoltosos. A despeito de sua semelhança com as demais rebeliões desta época, com a luta contra a excessiva centralização política do governo central, a Farroupilha apresentou uma série de peculiaridades que lhe conferem um lugar único entre as revoltas do período regencial.

Desde o século XVIII, o sul do Brasil era uma das principais áreas de criação de gado bovino e muar, voltados para a produção de charque e couro no primeiro caso e animais para transporte de mercadorias no segundo. Diretamente ligados a estas atividades, os estanceiros e charqueadores formavam os grupos sociais mais poderosos do lugar. Por estar situado em região de fronteira, o Rio Grande do Sul assistiu ao surgimento de elite militarizada formada por estanceiros que dispunham de milícias particulares para o enfrentamento as agressões externas.

A eclosão da revolução Farroupilha em setembro de 1835 representou um enfrentamento entre os grandes proprietários gaúchos e o governo regencial sediado no Rio de Janeiro. A insatisfação da elite rio-grandense com o poder central residia principalmente sobre os privilégios concedidos a províncias como o Rio de Janeiro e São Paulo. Esta situação era agravada pelo abandono do Rio Grande do Sul, cuja a principal que facilitava a entrada do charque uruguaio no Brasil.

Os rebeldes gaúchos também se levantaram contra a instalação de um corpo militar no Rio Grande do Sul diretamente subordinado ao governo central, o que feria profundamente a tradição das milícias particulares controladas pelos grandes estanceiros. Um dos principais líderes da Revolução Farroupilha foi o grande proprietário Bento Gonçalves, personagem que expressava os interesses da elite sul rio-grandense. Todavia, esta revolta também conferiu um caráter popular à Revolução Farroupilha.

As revoltas farroupilhas contra as forças do governo regencial levaram a proclamação da República de Piratini no Rio Grande do Sul em 1838e da instalação da República Juliana em Santa Catarina em 1839, o que significou a separação destes novos Estados do império brasileiro. Durante a revolta, foram incorporados novos nomes como o revolucionário italiano Giuseppe Garibaldi e sua mulher a brasileira Anita Garibaldi, ambos teriam atuação destacada na luta contra as forças imperiais. O enfraquecimento ocorreu através da repressão imperial, mas também em razão das crescentes divergências entre os líderes do movimento.

Em função do golpe da maioridade que elevou o jovem Dom Pedro ao trono em i840, o governo concedeu anistia a todos os insurgentes. Apesar da resistência de muitos líderes do movimento à proposta de anistia, os últimos governos farroupilhas eram formados por moderados e monarquistas que tinham interesse em estabelecer um acordo com o governo imperial para por fim ao conflito. A conciliação entre os revoltosos e o governo imperial ocorreu finalmente em 1845, no Rio Grande do Sul foi reintegrado ao Império Brasileiro, mas o governo central comprometeu-se a anistiar todos os revoltosos, incorporar os oficiais farroupilhas ao exército imperial e assumir todas as dívidas da República de Piratini.

Enfim, a Revolução Farroupilha faz parte de um período muito importante no processo de consolidação do Estado Nacional brasileiro, além de se constituir como parte fundamental da construção da identidade da população gaúcha.

Texto de Ramsés Eduardo pinheiro de Morais Sousa, graduado em Direito pela Uninovafapi, mestre em História do Brasil pela Ufpi e professor de História Contemporânea do Curso de Direito do Instituto Camillo Filho.

Paz e Bem!