Trabalho escravo contemporâneo é tema de palestra para alunos do 5º Ano

Hoje, 1º de Abril, os alunos do 5º Ano do Ensino Fundamental participaram de uma palestra sobre o trabalho escravo contemporâneo, no Convívio Cultural do Instituto Dom Barreto. A conversa foi ministrada por José Eduardo Pereira, advogado, ex-Delegado Regional do Trabalho e pai da aluna Esther, do 5º Ano A e Marco Aurélio Lustosa, Procurador Regional do Trabalho e pai da aluna Germana, do 5º Ano C.

O tema da palestra está sendo desenvolvido na disciplina de Português com as professoras Rossimara Assis e Leonildes Colaço. Na ocasião, os pais conversaram com as crianças sobre os primeiros grupos sociais, o trabalho como necessidade para sobreviver, as primeiras formas de escravidão e como essa mentalidade escravista ainda permanece na sociedade atual.

“Atualmente não há uma escravidão como aquela, de se capturar alguém, levar preso e colocar para trabalhar. Hoje existem formas modernas, contemporâneas de escravizar pessoas. Hoje, conquistam-se as pessoas pela necessidade”, explica Marco Aurélio. Ele acrescenta que o trabalho escravo contemporâneo é consequência, principalmente, da falta de oportunidade de trabalho digno e da necessidade de dinheiro para suprir as necessidades.

Durante a palestra ainda foram explicados alguns artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, principalmente, os que abordam a liberdade do homem. Também foram citados os artigos da Constituição Brasileira que abordam os 34 direitos trabalhistas, destacando, portanto, a importância do trabalho. A título de curiosidade, a punição para quem pratica o crime da escravidão, incluindo as formas modernas, é de 2 a 8 anos de prisão, sem contar eventuais outros crimes que possam ter sidos praticados para chegar à escravidão.

José Eduardo aproveitou para contar aos alunos exemplos de iniciativas tomadas para combater a escravidão moderna, na época em que era Delegado Regional do Trabalho no Piauí, servindo, portanto, de exemplo das práticas tomadas pelos órgãos do Estado para tentar diminuir este tipo de crime. Também foram abordados os diferentes tipos de trabalho infantil, onde José Eduardo aproveitou para diferenciá-lo daquela ajuda que muitas crianças praticam em casa, como por exemplo, arrumar a cama ou lavar uma louça. “O trabalho infantil é um grande problema da nossa sociedade. É a exploração, é quando a criança dentro da sua condição biológica, seu tamanho, a sua idade, não pode suportar um determinado serviço como uma obrigação, diferente da possibilidade de cooperação em casa, de colaborar com os pais”, diz.

Os palestrantes também trouxeram a importância de uma educação de qualidade para ter condições de conseguir um bom emprego no futuro e ainda dados sobre acidentes e mortes no trabalho e resgates de trabalhadores em locais de trabalho escravo. No final, também foram respondidas algumas perguntas escritas pelos alunos. O bate-papo de hoje faz parte do projeto “Gentileza” que está sendo desenvolvido por todas as professoras do 5º Ano e que vai continuar durante o ano letivo. Neste projeto, o pai de um dos alunos da turma faz a gentileza de trazer informações de acordo com o seu trabalho para as crianças ficarem ainda mais por dentro do assunto visto em sala. Uma forma de aumentar o conhecimento por parte dos alunos de forma descontraída e dinâmica, como a palestra de hoje.

Desejamos a todos Paz e Bem!